<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867</id><updated>2011-07-28T10:17:28.657-07:00</updated><title type='text'>Literatura e afinidades</title><subtitle type='html'>Literatura e afinidades é um espaço para apresentação e discussão de vários temas relacionados, ou não, à Literatura. É um espaço destinado ao encontro das diversas esferas do saber, sobretudo, da cultura em geral. Eis aí a afinidade da Literatura com seus entornos culturais,ou seja, tudo que engloba linguagem, música, pintura, teatro, cinema...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-4437635756165548794</id><published>2010-04-18T07:50:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T08:01:14.944-07:00</updated><title type='text'>O BRASIL IMPERIAL- VALE A PENA CONFERIR.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sucessos de vendas como "1808", de Laurentino Gomes [Ed. Planeta, 2007], ou os menos recentes "As Barbas do Imperador", de Lilia Moritz Schwarcz, e "Mauá - O Empresário do Império", de Jorge Caldeira [ambos publicados pela Companhia das Letras nos anos 1990], tornaram a história do Brasil no século 19 mais acessível e interessante para o grande público.&lt;br /&gt;Apesar de sua linguagem clara, sem vícios acadêmicos, os três grossos volumes de "O Brasil Imperial" dirigem-se a outro tipo de leitor. Mais de 30 pesquisadores contribuem com ensaios sobre temas bastante específicos, pressupondo que ninguém se assuste, por exemplo, com análises a respeito da política indigenista estabelecida pelo Regulamento de 1845 ou considerações sobre as modificações no calendário das comemorações cívicas durante o período da Regência [1831-40].&lt;br /&gt;Numa coletânea de ensaios tão enciclopédica como esta (e, de resto, muito bem organizada), perde-se naturalmente uma visão autoral unificada, capaz de dar conta, num fôlego só, de toda a história do período. Refletem-se contudo, como observa [o historiador] José Murilo de Carvalho na apresentação da obra, os notáveis avanços nas pesquisas universitárias sobre o Brasil imperial -tanto na variedade dos temas abordados quanto na "horizontalidade" e na "verticalidade", por assim dizer, da visada analítica.&lt;br /&gt;"Verticalidade" porque o interesse de muitos pesquisadores se aprofunda na minúcia da documentação.&lt;br /&gt;Rafael Marquese e Dale Tomich estudam a cafeicultura no Vale do Paraíba contrastando sua alta produtividade, para a época, com os números vigentes nas lavouras de Cuba e de Java [na Indonésia]. O intuito é explicar de que modo o Brasil passou, em poucas décadas, à posição de maior produtor mundial de café. &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461491647872763682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 402px; CURSOR: hand; HEIGHT: 360px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sdt684ByI/AAAAAAAAAHk/YL4ug27miSs/s320/21806751_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Descentralização&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para falar da história da imigração no Sul do Brasil, João Klug recorre a escritos de líderes da comunidade alemã, como Hermann Blumenau (em sua correspondência com o cônsul-geral da Prússia no Brasil). Klug é professor na Universidade Federal de Santa Catarina -e um dos aspectos marcantes desta coleção, além do aprofundamento "vertical" no detalhe dos acontecimentos, é o de sua latitude geográfica, no que diz respeito às instituições universitárias a que pertencem vários dos pesquisadores.&lt;br /&gt;Magda Ricci trabalha na Universidade Federal do Pará, podendo levantar os antecedentes da Revolta dos Cabanos [1835-40] com admirável senso do episódio significativo e especial atenção para as questões de identidade regional.&lt;br /&gt;Também contrariando as ilusões de óptica de uma historiografia produzida apenas a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo, Eduardo França Paiva (Universidade Federal de Minas Gerais) nos adverte para o fato de que a economia mineira não "desapareceu" depois de encerrado o ciclo do ouro.&lt;br /&gt;Indo mais longe na descentralização geográfica, Gabriela Ferreira (Universidade Federal de São Paulo) retoma a história das relações entre Brasil, Argentina e Uruguai, com uma segura análise das fricções políticas internas de cada país, para narrar a derrota das pretensões imperiais brasileiras na chamada Província Cisplatina (o Uruguai de hoje).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Franjas e interstícios&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461491813556381330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 363px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sd3kK7ZpI/AAAAAAAAAHs/ny0JSvoBOdc/s320/d837d2cf-8327-46f1-a31f-777df46a78dc.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do ponto de vista dos temas abordados, a coletânea não se limita aos pontos de parada inevitáveis da história imperial -a abolição do tráfico, a Guerra do Paraguai, as crises da Regência-, mas também revela um aumento do interesse em pesquisar as "franjas", por assim dizer, e os interstícios do sistema social da época.&lt;br /&gt;O papel dos negros libertos e dos mulatos, por exemplo, é ressaltado em diversos trabalhos, que, aliás, se empenham em dissolver a imagem, ainda presente, de uma espécie de "inexistência de povo" no século 19 brasileiro.&lt;br /&gt;Já a questão do ambiente é tratada por José Augusto Pádua num dos ensaios mais fascinantes do livro. Para quem se contentou com a clássica imagem do Império brasileiro transmitida no ensino médio, na qual liberais e conservadores eram a mesma coisa, dominando uma economia baseada apenas na exportação de café, com base no latifúndio e no trabalho escravo, esta coletânea reserva não poucas surpresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Matizes&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461491935241536386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 265px; CURSOR: hand; HEIGHT: 347px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sd-pe7g4I/AAAAAAAAAH0/o6p9tgAfQ6s/s320/f1e10f6e-5916-4d1d-bd36-0758fbf5f699.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As duras discussões parlamentares em torno das leis que precederam a Abolição (como a dos Sexagenários e a do Ventre Livre) estão longe de sugerir que aquelas iniciativas eram puramente cosméticas, "para inglês ver".&lt;br /&gt;Mesmo as principais correntes intelectuais e ideológicas do período -que nos acostumamos a ver como excentricidades a um passo do ridículo- surgem com muito mais matizes, complexidades e coerências do que se pensa, no artigo de Leonardo Affonso de Miranda Pereira.&lt;br /&gt;Embora o foco cerrado na documentação específica confira a "O Brasil Imperial" um aspecto de conjunto de monografias, é de justiça assinalar que nenhum dos autores perde de vista o contexto mais amplo.&lt;br /&gt;Dois trabalhos, pelo menos, fazem essa ligação de modo magistral: o de Vitor Izecksohn sobre a Guerra do Paraguai [1864-70] e o de Ricardo Salles sobre a crise da escravidão e suas relações com o ocaso do Partido Conservador.&lt;br /&gt;Sem perder o senso da minúcia e do rigor, ensaios como esses podem ser lidos com grande interesse pelo público não especializado -a que a coletânea, de modo geral, não se dirige preferencialmente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O BRASIL IMPERIAL&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Organização: Keila Grinberg e Ricardo Salles &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Editora: Civilização Brasileira (tel. 0/ xx/21/2585-2000) Quanto: R$ 59,90 cada um dos três volumes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Disponível em &lt; &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1804201004.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1804201004.htm&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 18/04/10&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-4437635756165548794?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/4437635756165548794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/o-brasil-imperial-vale-pena-conferir.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4437635756165548794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4437635756165548794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/o-brasil-imperial-vale-pena-conferir.html' title='O BRASIL IMPERIAL- VALE A PENA CONFERIR.'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sdt684ByI/AAAAAAAAAHk/YL4ug27miSs/s72-c/21806751_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-5239293348901718320</id><published>2010-04-18T07:41:00.001-07:00</published><updated>2010-04-18T07:49:43.113-07:00</updated><title type='text'>DUAS VEZES FAVELA - POR BORIS FAUSTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sahCS8ihI/AAAAAAAAAHM/j0y3_BWFWHU/s1600/B%C3%83%C2%B3ris_Fausto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461488127971199506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sahCS8ihI/AAAAAAAAAHM/j0y3_BWFWHU/s320/B%C3%83%C2%B3ris_Fausto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A imensa tragédia nos morros do Rio de Janeiro relembra o quanto as favelas cariocas fazem parte do imaginário dos brasileiros. Começando pela sua origem e por sua designação, elas têm uma história peculiar e centenária. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora haja controvérsias a respeito, parecem ter surgido, por volta de 1897, como local de moradia, oferecido pelo governo aos soldados que regressavam da campanha de Canudos [na Bahia]. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, a designação "favela" foi dada por esses soldados que, nas proximidades do arraial de Canudos, acamparam num morro, chamado de morro da Favela, em referência a um arbusto resistente, muito conhecido nas zonas secas do Nordeste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito cedo as favelas foram encaradas pelas autoridades como um local habitado por gente perigosa. Alba Zaluar e Marcos Alvito, organizadores do livro "Um Século de Favelas" (ed. FGV), transcrevem, na introdução, uma significativa carta de um delegado dirigida ao chefe da polícia do Rio de Janeiro, datada de 4/11/1900. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A carta é uma resposta ao chefe da polícia, determinando que se verificasse uma denúncia do "Jornal do Brasil" segundo a qual o morro da Providência [local no Rio de Janeiro onde soldados que lutaram em Canudos se instalaram] estava infestado de vagabundos e criminosos que sobressaltavam as famílias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz o delegado que "(...) é ali impossível ser feito o policiamento porquanto, nesse local, foco de desertores, ladrões e praças do Exército, não há ruas, os casebres são feitos de madeira e cobertos de zinco e não existe, em todo o morro, um só bico de gás, de modo que para a completa extinção dos malfeitores apontados torna-se necessário um grande cerco, (...) de pelo menos 80 praças devidamente armados". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com uma distância de 50 anos, o editorial da revista "Anhembi", de responsabilidade do escritor e jornalista Paulo Duarte, fala da vitória de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de 3 de outubro de 1950, vinculando-a, no Rio de Janeiro, ao "meio milhão de miseráveis, analfabetos, mendigos famintos e andrajosos, espíritos recalcados e justamente ressentidos, indivíduos tornados pelo abandono homens boçais, maus e vingativos, que desceram os morros embalados pela cantiga da demagogia, (...) para votar na última esperança que lhes restava: naquele que se proclamava o pai dos pobres, o messias charlatão".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461488618828255826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 229px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sa9m4Y0lI/AAAAAAAAAHU/ILGlHu4u1oA/s320/favela.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Idealização do morro&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O reverso da demonização da favela veio pela mão do cinema e principalmente da música popular. No caso do cinema, uma referência lendária é o filme "Favela dos Meus Amores", de 1935, do qual, se não estou enganado, não sobrou uma só cópia. Dirigido por Humberto Mauro, com a colaboração de Henrique Pongetti, sua trilha musical era feita de canções e sambas de Ary Barroso, Custódio Mesquita e Orestes Barbosa, entre outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Milhares de sambas tematizaram a favela, em fases que têm a ver com a história do país, onde predominam ora a idealização romântica (as cabrochas, os barracos sem trinco, a proximidade do céu), ora a violência (dos marginais ou da polícia), ora o protesto contra as injustiças sociais. Isso foi muito bem mostrado por Jane Souto de Oliveira e Maria Hortense Marcier num ensaio intitulado "A Palavra É Favela", que se encontra no livro já citado de Zaluar e Alvito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, Noel Rosa [1910-37], um dos grandes da música popular brasileira, tematizou quase todos esses aspectos, inclusive na célebre polêmica com Wilson Batista, respectivamente na defesa e na condenação do malandro. &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461489119168041554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 297px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sbauysElI/AAAAAAAAAHc/fOvp208DR2w/s320/Inima%2520de%2520Paula%2520%2520-%2520Morro%2520Carioca%2520-%252073%2520x%252092%2520cm.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Nos versos da música popular, encontramos às vezes um apelo para que a cidade enfrente o problema da favela e da habitação popular. É o caso de "Barracão", a célebre canção de Luiz Antonio e Oldemar Magalhães, que não eram compositores do morro, mas sabiam o que diziam: "Ai, barracão/ Pendurado no morro/ Vai pedindo socorro/ À cidade a seus pés". &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bela inversão, em que uma cidade, geograficamente submetida, tem, no entanto, socialmente, uma posição dominante com relação aos habitantes lá do alto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até que ponto o pedido de socorro, diante da catástrofe atual, será ouvido? Até que ponto o problema será enfrentado com um misto de humanidade e competência técnica, à margem da falsa dualidade "remoção ou urbanização", que percorre a história das favelas, como se todas as situações -na realidade, muito diversas- fossem idênticas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A folha corrida do poder público, onde consta o crime do esquecimento de tantas e tantas tragédias, não me permite ser otimista. Mas quem sabe -assim espero- eu esteja completamente enganado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponível em: &lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1804201009.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1804201009.htm&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 18/04/10&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-5239293348901718320?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/5239293348901718320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/duas-vezes-favela-por-boris-fausto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/5239293348901718320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/5239293348901718320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/duas-vezes-favela-por-boris-fausto.html' title='DUAS VEZES FAVELA - POR BORIS FAUSTO'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sahCS8ihI/AAAAAAAAAHM/j0y3_BWFWHU/s72-c/B%C3%83%C2%B3ris_Fausto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-3233716795052106532</id><published>2010-04-18T07:30:00.001-07:00</published><updated>2010-04-18T07:39:56.646-07:00</updated><title type='text'>QUESTÕES CRUCIAIS DO SÉCULO XXI- ERIC HOBSBAWM - ENTREVISTA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sYAr2XS7I/AAAAAAAAAG8/W4QzUTgg92M/s1600/m1804201001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461485373166668722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 247px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sYAr2XS7I/AAAAAAAAAG8/W4QzUTgg92M/s320/m1804201001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Historiador Eric Hobsbawm aponta questões cruciais do século 21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 92 anos, o historiador britânico Eric Hobsbawm continua um feroz crítico da prevalência do modelo político-econômico dos EUA. Para ele, o presidente americano Barack Obama, ao lidar com as consequências da crise econômica, desperdiçou a chance de construir maneiras mais eficazes de superá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Podemos desejar sucesso a Obama, mas acho que as perspectivas não são tremendamente encorajadoras", diz, na entrevista abaixo. "A tentativa dos EUA de exercer a hegemonia global vem fracassando de modo muito visível."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hobsbawm discute ainda questões globais contemporâneas --como as tentativas de criar Estados supranacionais, a xenofobia e o crescimento econômico chinês-- à luz do que expressou em livros como "Era dos Extremos" e "Tempos Interessantes" (ambos publicados pela Cia. das Letras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - "Era dos Extremos" termina em 1991, com um panorama de avalanche global --o colapso das esperanças de avanços sociais globais da era de ouro [segundo Hobsbawm, 1949-73]. Quais são as mudanças mais importantes desde então na história mundial?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eric Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Vejo quatro mudanças principais. Primeiro, o deslocamento do centro econômico do mundo do Atlântico Norte para o sul e o leste da Ásia. Isso já estava começando no Japão nas décadas de 1970 e 80, mas a ascensão da China desde os anos 1990 vem fazendo uma diferença real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, é claro, a crise mundial do capitalismo, que vínhamos prevendo, mas que, mesmo assim, levou muito tempo para ocorrer. Em terceiro, a derrota retumbante da tentativa dos EUA de exercer a hegemonia global solo a partir de 2001 --e essa tentativa vem fracassando de modo muito visível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar, a emergência de um novo bloco de países em desenvolvimento, como entidade política --os Brics [Brasil, Rússia, Índia e China]--, não tinha acontecido quando escrevi "Era dos Extremos". E, em quinto lugar, a erosão e o enfraquecimento sistemático da autoridade dos Estados: dos Estados nacionais no interior de seus territórios e, em grandes regiões do mundo, de qualquer tipo de autoridade de Estado efetiva. Isso pode ter sido previsível, mas se acelerou em um grau que eu não teria previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O que mais o surpreendeu desde então?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm -&lt;/strong&gt; Nunca deixo de me espantar com a pura e simples insensatez do projeto neoconservador, que não apenas fez de conta que a América fosse o futuro, mas chegou a pensar que tivesse formulado uma estratégia e uma tática para alcançar esse objetivo. Pelo que consigo enxergar, eles não tinham uma estratégia coerente, em termos racionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar --fato muito menor, mas significativo--, o ressurgimento da pirataria, algo que já tínhamos em grande medida esquecido; isso é novo. E a terceira coisa, que é ainda mais local: a derrocada do Partido Comunista da Índia (Marxista) em Bengala Ocidental [no leste da Índia], algo que eu realmente não teria previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prakash Karat, seu secretário-geral, disse-me recentemente que o partido se sentiu sitiado e assediado em Bengala Ocidental. E está prevendo sair-se muito mal diante deste novo Congresso nas eleições locais. Isso depois de governar por 30 anos como partido nacional, por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461485598480498754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 351px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sYNzNXgEI/AAAAAAAAAHE/Kk825PLzKw8/s320/10106245.jpg" border="0" /&gt;Historiador inglês Eric Hobsbawm durante sua passagem pela Flip de 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O sr. visualiza qualquer recomposição política do que foi no passado a classe trabalhadora?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Não em sua forma tradicional. Marx [1818-83] acertou, sem dúvida, quando previu a formação de grandes partidos de classe em determinado estágio da industrialização. Mas esses partidos, quando foram bem-sucedidos, não operaram puramente como partidos da classe trabalhadora: se queriam estender-se para além de uma classe estreita, o faziam como partidos do povo, estruturados em torno de uma organização inventada pela classe trabalhadora e voltada a alcançar os objetivos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, havia limites à consciência de classe. No Reino Unido, o Partido Trabalhista nunca conquistou mais de 50% dos votos. O mesmo se aplica à Itália, onde o Partido Comunista era muito mais um partido do povo. Na França, a esquerda era baseada sobre uma classe trabalhadora relativamente fraca, mas que conseguiu se reforçar como sucessora essencial da tradição revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O declínio da classe operária manual na indústria parece, de fato, ter atingido seu estágio terminal. Ainda restam ou vão restar muitas pessoas fazendo trabalhos manuais, e a defesa das condições de trabalho delas continua a ser uma tarefa importante de todos os governos de esquerda. Mas essa defesa não pode mais ser o alicerce principal das esperanças dessas pessoas: elas não possuem mais potencial político, nem mesmo teoricamente, porque não possuem o potencial de organização da classe operária antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve três outras mudanças negativas importantes. Uma delas, é claro, é a xenofobia --que, para a maior parte da classe trabalhadora é, nas palavras usadas certa vez por [August] Bebel, "o socialismo dos tolos": proteja meu emprego contra pessoas que estão competindo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, boa parte da mão de obra e do trabalho nos setores que a administração pública britânica qualificava no passado como "graus menores e manipulativos" não é permanente, mas temporária: são estudantes e migrantes trabalhando com catering [fornecimento de refeições para linhas aéreas, gastronomia hospitalar e cozinhas de navios], por exemplo. Assim, não é fácil enxergá-la como tendo potencial de ser organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única parte facilmente organizável desse tipo de mão de obra é a que é empregada por autoridades públicas, e isso devido ao fato de essas autoridades serem politicamente vulneráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira e mais importante mudança é, a meu ver, a divisão crescente gerada por um novo critério de classe: a saber, a aprovação em exames de escolas e universidades como critério de acesso a empregos. Pode-se dizer que se trata de uma meritocracia, mas ela é medida, institucionalizada e mediada por sistemas de ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isso fez foi desviar a consciência de classe da oposição aos patrões para a oposição a representantes de alguma elite: intelectuais, elites liberais, pessoas que se erguem como superiores a nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem existir meios novos? Não podem mais ser em termos de uma classe única, mas, na minha opinião, isso nunca foi possível. Existe uma política progressista de coalizões, mesmo coalizões relativamente permanentes como as que unem, digamos, a classe média instruída, leitora do "The Guardian", e os intelectuais --os altamente instruídos, que de modo geral tendem a posicionar-se muito mais à esquerda que outros-- e a massa dos pobres e ignorantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois grupos são essenciais para um movimento como esse, mas hoje talvez seja mais difícil uni-los do que era antes. É possível, em certo sentido, os pobres se identificarem com os multimilionários, como acontece nos EUA, dizendo "eu só precisaria de sorte para virar popstar". Mas não é possível dizer "bastaria um pouco de sorte para eu virar ganhador do Prêmio Nobel". Isso cria um problema real quando se trata de coordenar as posições políticas de pessoas que, objetivamente falando, poderiam estar do mesmo lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Que comparações o sr. traçaria entre a crise atual e a Grande Depressão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; -[A crise de] 1929 não começou com os bancos --eles só caíram dois anos mais tarde. O que aconteceu, na verdade, foi que a Bolsa de Valores [de Nova York] desencadeou uma queda na produção, com um índice muito mais alto de desemprego e um declínio real muito maior na produção do que havia ocorrido em qualquer momento até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A depressão atual levou mais tempo sendo preparada que a de 1929, que pegou quase todos de surpresa. Deveria ter sido claro desde cedo que o fundamentalismo neoliberal gerou uma instabilidade enorme nas operações do capitalismo. Até 2008, isso pareceu afetar apenas as áreas periféricas --a América Latina nos anos 1990 e no início da década de 2000, o Sudeste Asiático e a Rússia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que o verdadeiro indício de algo grave acontecendo deveria ter sido o colapso da Long-Term Capital Management [fundo de investimentos sediado nos EUA], em 1998, que provou como estava errado o modelo inteiro de crescimento. Mas o incidente não foi visto como tal. Paradoxalmente, a crise levou vários empresários e jornalistas a redescobrirem Karl Marx como alguém que tinha escrito algo interessante sobre uma economia globalizada moderna. Não teve absolutamente nada a ver com a antiga esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia mundial em 1929 era menos global do que é hoje. Isso exerceu algum efeito, é claro --por exemplo, teria sido muito mais fácil então para as pessoas que perderam seus empregos retornarem a suas cidadezinhas de origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A existência da União Soviética não exerceu efeito concreto sobre a Depressão, mas seu efeito ideológico foi enorme: significava que havia uma alternativa. Desde os anos 1990, temos assistido à ascensão da China e das economias emergentes, fato que vem realmente exercendo um efeito concreto sobre a depressão atual, na medida em que esses países vêm ajudando a manter a economia mundial muito mais equilibrada do que ela estaria sem eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, mesmo na época em que o neoliberalismo estava supostamente em plena forma, o crescimento real estava ocorrendo em muito grande medida nessas economias em desenvolvimento recente --particularmente na China. Tenho certeza de que, não fosse pela China, a queda de 2008 teria sido muito mais séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - E o que dizer das consequências políticas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm &lt;/strong&gt;- A Depressão de 1929 levou a um desvio avassalador para a direita, com a exceção notável da América do Norte, incluindo o México, e da Escandinávia. Na França, a Frente Popular teve apenas 0,5% mais votos em 1936 do que tinha em 1932, de modo que sua vitória assinalou uma mudança na composição das alianças políticas, e não alguma coisa mais profunda. Na Espanha, apesar da situação quase ou potencialmente revolucionária, o efeito imediato e, de fato, também o efeito de longo prazo foi um desvio para a direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria dos outros países, especialmente na Europa central e do leste, a política se desviou para a direita de modo muito acentuado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O efeito da crise atual não é tão nítido. Podemos imaginar que grandes mudanças políticas devem ocorrer não apenas nos EUA ou no Ocidente, mas quase certamente na China. Mas podemos apenas especular sobre quais serão essas mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O sr. antevê que a China continue a resistir ao declínio?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Não há nenhuma razão em especial para prever que a China pare de crescer de uma hora para outra. A depressão causou um choque grave ao governo chinês, na medida em que paralisou muitas indústrias, temporariamente. Mas o país ainda se encontra nos estágios iniciais do desenvolvimento econômico, e há espaço enorme para expansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero tecer especulações sobre o futuro, mas podemos imaginar que, dentro de 20 ou 30 anos, a importância relativa da China no palco mundial será maior do que é hoje --pelo menos econômica e politicamente, mas não necessariamente em termos militares. É claro que o país ainda enfrenta problemas enormes; sempre há pessoas que se perguntam se a China vai conseguir continuar unida. Mas acho que as razões reais e ideológicas para que as pessoas desejem que a China se mantenha unida continuam muito fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Que avaliação o sr. faz da administração [do presidente dos EUA, Barack] Obama?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm &lt;/strong&gt;- As pessoas ficaram tão satisfeitas com a eleição de um homem como ele, especialmente em um momento de crise, que pensaram que certamente seria um grande reformador, que faria o que Roosevelt [presidente dos EUA, 1933-45, responsável pelo New Deal, série de programas econômicos e sociais contra a Grande Depressão] fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Obama não o fez. Ele começou mal. Se compararmos os primeiros cem dias de Roosevelt com os primeiros cem dias de Obama, o que salta à vista é a disposição de Roosevelt em aceitar assessores não oficiais, em experimentar algo novo, comparada à insistência de Obama em se conservar no centro. Acho que ele desperdiçou sua chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos desejar sucesso a Obama, mas acho que as perspectivas não são tremendamente encorajadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Voltando-nos ao teatro mais explosivo de conflito internacional no mundo no presente, o sr. pensa que a solução de dois Estados, conforme visualizada no momento, é uma perspectiva digna de crédito para a Palestina?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Pessoalmente, duvido que ela exista neste momento. Seja qual for a solução possível, nada vai acontecer enquanto os americanos não decidirem mudar totalmente de posição e aplicar pressão sobre Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Existem lugares do mundo nos quais o sr. acha que projetos positivos e progressistas ainda estejam vivos ou tenham chances de ser reativados?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Na América Latina, com certeza, a política e o discurso público geral ainda são conduzidos nos velhos termos do iluminismo --liberais, socialistas, comunistas. Esses são os lugares onde se encontram militaristas que falam como socialistas --que são socialistas. Encontram-se fenômenos como [o presidente] Lula, baseado em um movimento da classe trabalhadora, e [o presidente boliviano Evo] Morales.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde isso vai levar é outra questão, mas a velha linguagem ainda pode ser falada, e os velhos modos políticos ainda estão disponíveis. Não estou inteiramente certo quanto à América Central, embora existam indícios de um ligeiro "revival" da tradição da revolução no próprio México --não que isso vá muito longe, na medida em que o México já foi virtualmente integrado à economia americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a América Latina se beneficiou da ausência de nacionalismo étnico-linguístico e de divisões religiosas, e isso fez com que fosse muito mais fácil conservar o discurso antigo. Sempre chamou minha atenção o fato de que, até muito recentemente, não se viam sinais de política étnica. Esta apareceu entre movimentos indígenas no México e no Peru, mas não em escala remotamente comparável ao que se viu na Europa, na Ásia ou na África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que projetos progressistas possam renascer na Índia, devido à força institucional da tradição secular de Nehru [que se tornou premiê da Índia após a independência do país, em 1947]. Mas isso não parece penetrar muito entre as massas, com a exceção de algumas regiões em que os comunistas têm tido ou tiveram apoio de massa, como em Bengala e Kerala, e possivelmente alguns grupos como os naxalitas ou os maoístas no Nepal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o legado dos velhos movimentos trabalhistas, socialistas e comunistas na Europa continua bastante forte. Os partidos fundados sob [a influência de Friedrich] Engels ainda são, em quase toda parte na Europa, potenciais partidos governistas ou os principais partidos de oposição. Desconfio que em algum momento a herança do comunismo, por exemplo nos Bálcãs ou até mesmo em parte da Rússia, possa se manifestar de maneiras que não podemos prever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vai acontecer na China eu não sei. Mas não há dúvida de que eles estão pensando em termos diferentes, não em termos maoístas ou marxistas modificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O sr. sempre foi crítico do nacionalismo como força política, avisando à esquerda que não deve pintá-lo de vermelho. Mas também se manifestou de modo contundente contra violações de soberania nacional cometidas em nome de intervenções humanitárias. Após a falência dos tipos de internacionalismo nascidos do movimento trabalhista, que tipos são desejáveis hoje?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Em primeiro lugar, o humanitarismo, o imperialismo dos direitos humanos, não tem muito a ver com internacionalismo. É indicativo ou de um imperialismo renascido, que encontra nele uma desculpa adequada para cometer violações de soberania de Estados --podem ser desculpas absolutamente sinceras--, ou então, o que é mais perigoso, é uma reafirmação da crença na superioridade permanente da região que dominou o planeta do século 16 até o final do século 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, os valores que o Ocidente procura impor são valores especificamente regionais, não necessariamente universais. Se fossem valores universais, teriam que ser reformulados em termos diferentes. Não creio que estejamos lidando aqui com algo que seja nacional ou internacional em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nacionalismo exerce um papel nisso, sim, porque a ordem nacional baseada em Estados-nações --o sistema westfaliano-- tem sido no passado, para o bem ou para o mal, uma das melhores proteções contra a chegada de elementos externos a países. Não há dúvidas de que, uma vez que ela é abolida, o caminho fica aberto para guerras agressivas e expansionistas --de fato, é por essa razão que os EUA têm criticado a ordem westfaliana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O internacionalismo, que é a alternativa ao nacionalismo, é uma coisa espinhosa. Ou é um slogan politicamente vazio, como foi, concretamente falando, no movimento trabalhista internacional --não queria dizer nada específico--, ou é uma maneira de assegurar uniformidade para organizações centralizadas e poderosas como a Igreja Católica ou a Internacional Comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O internacionalismo significava que, como católico, você acreditava nos mesmos dogmas e participava das mesmas práticas, não importa quem você fosse ou onde vivesse. O mesmo acontecia, teoricamente, com os partidos comunistas. Em que medida isso realmente aconteceu, e em que estágio deixou de acontecer --mesmo dentro da Igreja Católica--, é outra questão. Não é realmente isso o que queríamos dizer com "internacionalismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado-nação foi e continua a ser o quadro em que são tomadas todas as decisões políticas, domésticas e externas. Até muito recentemente, as atividades dos partidos trabalhistas --na verdade, todas as atividades políticas-- eram conduzidas quase inteiramente dentro do contexto de um Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo dentro da UE [União Europeia], a política ainda é articulada em termos nacionais. Em outras palavras, não existe um poder de ação supranacional --apenas Estados separados formando uma coalizão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que o islã missionário e fundamentalista constitua uma exceção a essa regra, abarcando Estados, mas isso ainda não foi demonstrado concretamente. As tentativas anteriores de criação de Superestados pan-árabes, como a tentativa entre Egito e Síria, fracassaram precisamente devido à persistência das fronteiras existentes --antes coloniais-- dos Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Então o sr. vê obstáculos inerentes a quaisquer tentativas de extrapolar as fronteiras do Estado-nação?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm &lt;/strong&gt;- Economicamente e na maioria dos outros aspectos --inclusive culturalmente, até certo ponto--, a revolução das comunicações criou um mundo genuinamente internacional, no qual há poderes de decisão que se transnacionalizam, atividades que são transnacionais e, é claro, movimentos de ideias, comunicações e pessoas que são mais facilmente transnacionais do que jamais antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo as culturas linguísticas hoje são suplementadas por expressões idiomáticas das comunicações internacionais. Na política, contudo, não se vê nenhum sinal de que isso esteja acontecendo, e é essa a contradição básica no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das razões pelas quais não vem acontecendo é que, no século 20, a política foi democratizada em grau muito grande --a massa da população comum se envolveu nela. Para essa massa, o Estado é essencial para suas operações cotidianas normais e para suas possibilidades de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativas de fragmentar o Estado internamente, pela descentralização, foram empreendidas, em sua maioria nos últimos 30 ou 40 anos, e algumas delas não deixaram de ter algum sucesso --na Alemanha, com certeza, a descentralização vem tendo alguma medida de sucesso, e na Itália a regionalização vem sendo benéfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as tentativas de criar Estados supranacionais não têm funcionado. A UE é o exemplo mais óbvio disso. Ela foi prejudicada, até certo ponto, pelo fato de seus fundadores terem pensado precisamente em termos de um Superestado análogo a um Estado nacional, apenas maior --sendo que essa não era uma possibilidade, creio, e hoje com certeza não é. A UE é uma reação específica no interior da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um ou outro momento se viram sinais de um Estado supranacional no Oriente Médio e em outros lugares, mas a UE é o único que parece ter ido adiante. Não acredito, por exemplo, que exista muita chance de uma federação maior surgir na América do Sul. Pessoalmente, eu apostaria contra essa possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, o problema ainda não resolvido continua a ser a seguinte contradição: por um lado, há entidades e práticas transnacionais que estão em processo de esvaziar o Estado, talvez ao ponto de levá-lo ao colapso. Mas, se isso acontecer --coisa que não é uma perspectiva imediata, não em Estados desenvolvidos--, quem se encarregará da função redistributiva e de outras funções até agora empreendidas unicamente pelo Estado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento, temos uma espécie de simbiose e conflito. Esse é um dos problemas básicos de qualquer tipo de política popular hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O nacionalismo claramente foi uma das grandes forças motrizes da política no século 19 e boa parte do século 20. O que o sr. diz da situação atual?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Não há dúvida alguma de que o nacionalismo foi, em grande medida, parte do processo de formação dos Estados modernos, que exigiu uma forma de legitimação diferente da do Estado tradicional teocrático ou dinástico. A ideia original do nacionalismo era a criação de Estados maiores, e me parece que essa função unificadora e de expansão foi muito importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo típico foi o da Revolução Francesa, na qual, em 1790, pessoas apareceram dizendo: "Não somos mais delfineses ou sulistas --somos todos franceses".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma etapa posterior, dos anos 1870 em diante, vemos movimentos de grupos no interior desses Estados impulsionando a criação de seus Estados independentes. Isso, é claro, gerou o momento wilsoniano de autodeterminação --se bem que, felizmente, em 1918-19, ele ainda fosse corrigido, até certo ponto, por algo que desde então desapareceu por completo, a saber, a proteção das minorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era reconhecido, mesmo que não pelos próprios nacionalistas, que nenhum desses novos Estados-nações era, de fato, étnica ou linguisticamente homogêneo. Mas, depois da Segunda Guerra [1939-45], os pontos fracos das situações existentes foram enfrentados, não apenas pelos vermelhos, mas por todos, pela criação proposital e forçada da homogeneidade étnica. Isso provocou uma quantidade enorme de sofrimento e crueldade, e, no longo prazo, também não funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, até aquele período, o tipo separatista de nacionalismo operou razoavelmente bem. Ele foi reforçado após a Segunda Guerra Mundial pela descolonização, que, por sua própria natureza, havia criado mais Estados; e foi fortalecido ainda mais, no final do século, pela queda do império soviético [em 1991], que também criou novos Miniestados separados, incluindo muitos que, assim como aconteceu com as colônias, não tinham desejado de fato separar-se, mas aos quais a independência foi imposta pela força da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso deixar de pensar que a função dos Estados separatistas pequenos, que se multiplicaram tremendamente desde 1945, mudou. Para começo de conversa, eles são reconhecidos como existentes. Antes da Segunda Guerra, os Miniestados --como Andorra, Luxemburgo e todos os outros-- nem sequer eram vistos como parte do sistema internacional, exceto pelos colecionadores de selos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de que tudo, até a Cidade do Vaticano, hoje é um Estado, potencialmente membro das Nações Unidas, é nova. Está muito claro, também, que, em termos de poder, esses Estados não são capazes de exercer o papel de Estados tradicionais --não possuem a capacidade de travar guerra contra outros Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornaram-se, na melhor das hipóteses, paraísos fiscais ou bases subalternas úteis para as instâncias decisórias transnacionais. A Islândia é um bom exemplo disso, e a Escócia não fica muito atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função histórica de criar uma nação como Estado-nação deixou de ser a base do nacionalismo. Pode-se dizer que não é mais um slogan muito convincente. Pode ter sido eficaz, no passado, como meio de criar comunidades e organizá-las contra outras unidades políticas ou econômicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, porém, o fator xenofóbico do nacionalismo é cada vez mais importante. Quanto mais a política foi democratizada, maior foi o potencial para isso. As causas da xenofobia são muito maiores do que eram no passado. Trata-se de algo muito mais cultural que político --basta pensar na ascensão do nacionalismo inglês ou escocês nos últimos anos--, mas nem por isso menos perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O fascismo não incluía essas formas de xenofobia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - O fascismo ainda foi, até certo ponto, parte da investida para criar nações maiores. Não há dúvida de que o fascismo italiano foi um grande passo à frente na conversão de calabreses e úmbrios em italianos; e mesmo na Alemanha, foi apenas em 1934 que os alemães puderam ser definidos como alemães, e não alemães pelo fato de serem suábios, francos ou saxões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que os fascismos alemão e europeu central e oriental foram acirradamente contrários a outsiders --judeus, em grande medida, mas não apenas eles. E, é claro, o fascismo forneceu uma garantia menor contra os instintos xenofóbicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vantagens enormes dos movimentos trabalhistas antigos era que eles forneciam essa garantia. Isso ficou muito claro na África do Sul: não fosse pelo compromisso das organizações de esquerda tradicionais com a igualdade e a não discriminação, teria sido muito mais difícil resistir à tentação de cometer atos de vingança contra os africânderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta - O sr. destacou as dinâmicas separatistas e xenofóbicas do nacionalismo. O sr. vê isso como algo que hoje atua nas margens da política mundial, e não no teatro principal dos acontecimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hobsbawm - Sim, acho que isso é provavelmente certo --embora existam regiões em que o nacionalismo causou danos enormes, como no sudeste da Europa. Ainda é verdade, é evidente, que o nacionalismo --ou o patriotismo, ou a identificação com um povo específico, que não precisa necessariamente ser definido por critérios étnicos-- seja um enorme fator de legitimação dos governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é claramente o caso na China. Um dos problemas da Índia, hoje, é que não existe nada exatamente assim por lá. Os EUA, obviamente, não podem ser definidos por uma unidade étnica, mas certamente têm sentimentos nacionalistas fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Como o sr. prevê a dinâmica social da imigração contemporânea hoje, num momento em que tantos migrantes chegam anualmente à UE e aos EUA? O sr. prevê a emergência gradual de outro caldeirão cultural na Europa, não dessemelhante ao americano?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Mas o caldeirão cultural nos EUA deixou de sê-lo desde os anos 1960. Ademais, no final do século 20, a migração já era algo realmente muito diferente das migrações de períodos anteriores, em grande medida porque, ao emigrar, as pessoas já não rompem os vínculos com o passado no mesmo grau em que o faziam antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível continuar vivendo em dois, possivelmente até três, mundos ao mesmo tempo, e a identificar-se com dois ou três lugares distintos. É possível continuar a ser guatemalteco mesmo vivendo nos EUA. Também há situações como as da UE, nas quais, concretamente, a imigração não gera a possibilidade de assimilação. Um polonês que vem para o Reino Unido não é visto como nada além de um polonês que vem trabalhar no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é claramente novo e muito diferente da experiência de pessoas da minha geração, por exemplo --a geração dos emigrados políticos, não que eu tenha sido um--, na qual nossa família era britânica, mas culturalmente nunca deixávamos de ser austríacos ou alemães; mas, apesar disso, acreditávamos realmente que deveríamos ser ingleses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando um desses emigrados retornasse a seu próprio país, mais tarde, não era exatamente a mesma coisa --o centro de gravidade tinha se deslocado. Sempre há exceções: o poeta Erich Fried [1921-88], que viveu em Willesden (zona noroeste de Londres) por 50 anos, continuou, de fato, a viver na Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito realmente que é essencial conservar as regras básicas da assimilação --que os cidadãos de um país particular devem comportar-se de determinada maneira e gozar de determinados direitos, e que esses comportamentos e direitos devem defini-los, e que isso não deve ser enfraquecido por argumentos multiculturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França havia, apesar de tudo, integrado mais ou menos tantos de seus imigrantes estrangeiros quanto os EUA, relativamente falando, e, mesmo assim, o relacionamento entre os locais e os ex-imigrantes é quase certamente melhor lá. Isso acontece porque os valores da República Francesa continuam a ser essencialmente igualitários e não fazem nenhuma concessão pública real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o que for que você faça no âmbito pessoal --era também esse o caso nos EUA no século 19--, publicamente esse é um país que fala francês. A dificuldade real não será tanto com os imigrantes quanto com os locais. É em lugares como Itália e Escandinávia, que não tinham tradições xenofóbicas prévias, que a nova imigração vem criando problemas sérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Hoje é amplamente disseminada a ideia de que a religião tenha retornado como força imensamente poderosa em um continente após o outro. O sr. vê isso como um fenômeno fundamental ou como fenômeno mais passageiro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Está claro que a religião --entendida como a ritualização da vida, a crença em espíritos ou entidades não materiais que influenciariam a vida e, o que não é menos importante, como um elo comum entre comunidades-- está tão amplamente presente ao longo da história que seria um equívoco enxergá-la como fenômeno superficial ou que esteja destinado a desaparecer, pelo menos entre os pobres e fracos, que provavelmente sentem mais necessidade de seu consolo e também de suas potenciais explicações do porquê de as coisas serem como são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem sistemas de governo, como o chinês, que não possuem concretamente qualquer coisa que corresponda ao que nós consideraríamos ser religião. Eles demonstram que isso é possível, mas acho que um dos erros do movimento socialista e comunista tradicional foi optar pela extirpação violenta da religião em épocas em que poderia ter sido melhor não fazê-lo. Uma das grandes transformações interessantes advindas após a queda de Mussolini na Itália foi quando [Palmiro] Togliatti [secretário-geral do Partido Comunista Italiano] deixou de discriminar os católicos praticantes --e com razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outro modo, ele não teria conseguido que 14% das donas de casa votassem nos comunistas na década de 1940. Isso mudou o caráter do Partido Comunista Italiano, que passou de partido leninista de vanguarda a partido classista de massas ou partido do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, é verdade que a religião deixou de ser a linguagem universal do discurso público; e, nessa medida, a secularização vem sendo um fenômeno global, embora apenas em algumas partes do mundo ela tenha enfraquecido gravemente a religião organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para as pessoas que continuam a ser religiosas, o fato de hoje existirem duas linguagens do discurso religioso gera uma espécie de esquizofrenia, algo que pode ser visto com bastante frequência entre, por exemplo, os judeus fundamentalistas na Cisjordânia --eles acreditam em algo que é evidentemente tolice, mas trabalham como especialistas nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento islâmico atual é composto, em grande medida, por jovens tecnólogos e técnicos desse tipo. Com certeza, as práticas religiosas vão mudar muito substancialmente. Se isso vai realmente produzir uma secularização maior não está claro. Por exemplo, não sei até que ponto a grande mudança na religião católica no Ocidente --ou seja, a recusa das mulheres em pautar-se pelas normas sexuais-- realmente levou as mulheres católicas a serem menos crentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O declínio das ideologias do iluminismo deixou um espaço político muito maior para a política religiosa e as versões religiosas de nacionalismo. Mas não creio que todas as religiões tenham vivido uma ascensão grande. Muitas delas estão claramente em declínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O catolicismo está lutando arduamente, mesmo na América Latina, contra a ascensão de seitas evangélicas protestantes, e tenho certeza de que está se mantendo na África apenas graças a concessões aos hábitos e costumes sociais que eu duvido que tivessem sido feitas no século 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As seitas evangélicas protestantes estão em ascensão, mas não está claro até que ponto são mais que uma minoria pequena entre os setores sociais com mobilidade ascendente, como era o caso antigamente com os não conformistas na Inglaterra. Tampouco está claro que o fundamentalismo judaico, que causa tanto mal em Israel, seja um fenômeno de massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única exceção é o islã, que vem continuando a se expandir sem nenhuma atividade missionária efetiva nos últimos dois séculos. Dentro do islã, não está claro se tendências como o movimento militante atual pela restauração do califado representam mais que uma minoria ativista. Contudo, me parece que o islã possui grandes trunfos que favorecem sua expansão contínua --em grande medida, porque confere às pessoas pobres o sentimento de que valem tanto quanto todas as outras e que todos os muçulmanos são iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Não se poderia dizer o mesmo do cristianismo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Mas um cristão não crê que vale tanto quanto qualquer outro cristão. Duvido que os cristãos negros acreditem que valham tanto quanto os colonizadores cristãos, enquanto alguns muçulmanos negros acreditam nisso, sim. A estrutura do islã é mais igualitária, e o elemento militante é mais forte no islã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me de ter lido que os mercadores de escravos no Brasil deixaram de importar escravos muçulmanos porque eles insistiam em rebelar-se sempre. Onde estamos, esse apelo encerra perigos consideráveis --em certa medida, o islã deixa os pobres menos receptivos a outros apelos por igualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os progressistas no mundo muçulmano sabiam desde o início que não haveria maneira de afastar as massas do islã; mesmo na Turquia, tiveram que encontrar alguma forma de convivência --aliás, esse foi provavelmente o único lugar onde isso foi feito com êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - A ciência foi uma parte central da cultura da esquerda antes da Segunda Guerra, mas, ao longo das duas gerações seguintes, virtualmente desapareceu como elemento central do pensamento marxista ou socialista. O sr. acha que o destaque crescente das questões ambientais deverá reaproximar a ciência da política radical?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - Tenho certeza de que os movimentos radicais vão se interessar pela ciência. O ambiente e outras preocupações geram razões fundamentadas para combater a fuga da ciência e da abordagem racional aos problemas, fuga que se tornou bastante ampla a partir dos anos 1970 e 80. Mas, com relação aos próprios cientistas, não creio que isso vá acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos cientistas sociais, não há nada que leve os cientistas naturais a se aproximarem da política. Historicamente falando, eles, na maioria dos casos, têm sido apolíticos ou seguiram a política padrão de sua classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem exceções --entre os jovem na França do início do século 19, digamos, e, muito notavelmente, nas décadas de 1930 e 1940. Mas esses são casos especiais, que se devem ao reconhecimento por parte dos próprios cientistas de que seu trabalho estava se tornando cada vez mais essencial para a sociedade, mas que a sociedade não se dava conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho crucial sobre isso é "The Social Function of Science" [A Função Social da Ciência, MIT Press], de [J.D.] Bernal, que exerceu efeito enorme sobre outros cientistas. É claro que o ataque deliberado de Hitler contra tudo o que a ciência representava ajudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século 20, as ciências físicas estiveram no centro do desenvolvimento, enquanto no século 21 está claro que são as ciências biológicas que estão. Pelo fato de estarem mais próximas da vida humana, pode haver um elemento de politização maior. Mas há um fato contrário, com certeza: cada vez mais, os cientistas têm sido integrados ao sistema do capitalismo, tanto como indivíduos quanto no interior de organizações científicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta anos atrás, teria sido impensável alguém falar em patentear um gene. Hoje, patenteia-se um gene na esperança de virar milionário, e esse fato afastou um grupo bastante grande de cientistas da política da esquerda. A única coisa que ainda poderá politizá-los é a luta contra governos ditatoriais ou autoritários que interferem em seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos fenômenos mais interessantes na União Soviética foi que os cientistas lá foram forçados a se politizar, porque receberam o privilégio de um certo grau de direitos e liberdades --de tal maneira que pessoas que, de outro modo, não teriam passado de leais fabricantes de bombas de hidrogênio se tornaram líderes dissidentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é impossível que isso venha a ocorrer em outros países, embora não existam muitos no momento. É claro que o ambiente é uma questão que pode manter muitos cientistas mobilizados. Se houver um desenvolvimento maciço de campanhas em torno das mudanças climáticas, então é evidente que os especialistas se verão engajados, em grande medida combatendo os reacionários e os que nada sabem. Logo, nem tudo está perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - O que o atraiu originalmente para o tema das formas arcaicas de movimento social, em "Rebeldes Primitivos", e até que ponto o sr. planejou isso de antemão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm &lt;/strong&gt;- Isso surgiu a partir de duas coisas. Quando percorri a Itália na década de 1950, eu não parava de topar com fenômenos aberrantes --representações partidárias no sul do país elegendo testemunhas de Jeová como secretários, e assim por diante; pessoas que refletiam sobre problemas modernos, mas não nos termos aos quais estávamos acostumados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, especialmente após 1956, isso expressava uma insatisfação geral com a versão simplificada que tínhamos do desenvolvimento de movimentos populares da classe trabalhadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Rebeldes Primitivos", eu estava muito longe de ser crítico da leitura padrão-- pelo contrário, eu observava que esses outros movimentos não chegariam a nenhum lugar a não ser que, mais cedo ou mais tarde, adotassem o vocabulário e as instituições modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito disso, ficou claro para mim que não bastava simplesmente ignorar esses outros fenômenos, dizer que sabíamos como todas essas coisas operam. Eu produzi uma série de ilustrações desse tipo, estudos de caso, e disse: "Estes não se encaixam".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me levou a pensar que, antes mesmo da invenção do vocabulário, dos métodos e das instituições políticas modernas, existiam maneiras como as pessoas praticavam política que englobavam ideias básicas sobre as relações sociais --entre elas, em grau não menor, as relações entre poderosos e fracos, governantes e governados-- que possuíam uma certa lógica e se encaixavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu realmente não tive oportunidade de levar esse estudo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Em "Tempos Interessantes" [publicado em 2002], o sr. expressou reservas consideráveis em relação ao que eram na época modismos históricos recentes. O sr. acha que o cenário historiográfico continua relativamente inalterado?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm &lt;/strong&gt;- Estou cada vez mais impressionado com a escala do desvio intelectual verificado na história e nas ciências sociais desde os anos 1970. Minha geração de historiadores, que de modo geral transformou o ensino da história, além de muitas outras coisas, procurou essencialmente estabelecer um vínculo permanente, uma fertilização mútua, entre a história e as ciências sociais; era um esforço que datava dos anos 1890.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disciplina econômica seguiu uma trajetória diferente. Dávamos como certo que estávamos falando de algo real: de realidades objetivas, embora, desde Marx e a sociologia do conhecimento, soubéssemos que as pessoas não registram a verdade simplesmente como ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que era realmente interessante eram as transformações sociais. A Grande Depressão foi instrumental nesse aspecto, porque reapresentou o papel exercido por grandes crises nas transformações históricas --a crise do século 14, a transição ao capitalismo. Não foram, na realidade, os marxistas que introduziram isso --foi Wilhelm Abel, na Alemanha, o primeiro a fazer a releitura dos fatos da Idade Média à luz da Grande Depressão dos anos 1930. Éramos um grupo que procurava resolver problemas, que se preocupava com as grandes questões. Havia outras coisas cuja importância diminuíamos: éramos tão contrários à história tradicionalista, à história dos governantes e figuras importantes, ou mesmo à história das ideias, que rejeitávamos isso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum momento da década de 1970, ocorreu uma mudança acentuada. Em 1979-80 a [revista de história] "Past &amp;amp; Present" publicou uma troca de ideias entre Lawrence Stone e mim sobre o "revival da narrativa" --"o que está acontecendo com as grandes perguntas 'por quê'?". De lá para cá, as grandes perguntas transformativas vêm sendo esquecidas pelos historiadores, de maneira geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, ocorreu uma expansão enorme do âmbito da história --passou a ser possível escrever sobre qualquer coisa que se quisesse: objetos, sentimentos, práticas. Parte disso era interessante, mas também se viu um aumento enorme do que se poderia chamar de história de fanzine, na qual grupos escrevem com o objetivo de se sentirem mais positivos a seu próprio respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo clássico disso é o dos indígenas americanos que se recusaram a acreditar que seus ancestrais tivessem migrado da Ásia, afirmando "sempre estivemos aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa parte desse desvio foi político, em algum sentido. Os historiadores oriundos de 1968 não se interessavam mais pelas grandes perguntas --pensavam que todas já tinham sido respondidas. Estavam muito mais interessados nos aspectos voluntários ou pessoais. O [periódico] "History Workshop" foi um desenvolvimento tardio desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que os novos tipos de história tenham produzido quaisquer mudanças dramáticas. Na França, por exemplo, a história pós-Braudel não se compara à que foi feita pela geração dos anos 1950 e 1960. Pode haver trabalhos ocasionais muito bons, mas não é a mesma coisa. E estou inclinado a pensar que o mesmo pode ser dito do Reino Unido. Houve um elemento de antirracionalismo e de relativismo nessa reação dos anos 1970, que, ao todo, constatei ser hostil à história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, houve alguns avanços positivos. O mais positivo destes foi a história cultural, que todos nós, inegavelmente, tínhamos deixado de lado. Não prestamos atenção suficiente à história do modo como ela de fato se apresenta a seus atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro "A Europa e os Povos Sem História" [Edusp], de Eric Wolf, é um exemplo de uma mudança positiva nesse respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também ocorreu uma ascensão enorme da história global. Entre não historiadores tem havido muito interesse pela história geral --ou seja, em como a raça humana começou. Graças a pesquisas de DNA, hoje sabemos muita coisa sobre a expansão de humanos através do planeta. Em outras palavras, dispomos de uma base genuína para uma história mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro avanço positivo, em grande medida por parte dos americanos e em parte, também, dos historiadores pós-coloniais, tem sido a reabertura da questão da especificidade da civilização europeia ou atlântica e da ascensão do capitalismo -- "The Great Divergence" [Princeton University Press], de [Kenneth] Pomeranz, e assim por diante. Isso me parece muito positivo, embora seja inegável que o capitalismo moderno surgiu em partes da Europa, e não na Índia ou China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta - Se o sr. tivesse que escolher tópicos ou campos ainda inexplorados e que representam desafios importantes para historiadores futuros, quais seriam?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobsbawm&lt;/strong&gt; - O grande problema é um problema muito geral. Segundo padrões paleontológicos, a espécie humana transformou sua existência com velocidade espantosa, mas o ritmo das transformações tem variado tremendamente. Isso claramente indica um controle crescente sobre a natureza, mas não devemos imaginar que sabemos para onde isso nos está conduzindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os marxistas focaram, com razão, as transformações no modo de produção e em suas relações sociais como sendo geradoras de transformações históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, se pensarmos em termos de como "os homens fazem sua própria história", a grande questão é a seguinte: historicamente, comunidades e sistemas sociais buscaram a estabilização e a reprodução, criando mecanismos para prevenir-se contra saltos perturbadores no desconhecido. A resistência à imposição de transformações de fora para dentro ainda é um fator preponderante na política mundial, hoje. Como, então, humanos e sociedades estruturados para resistir a transformações dinâmicas se adaptam a um modo de produção cuja essência é o desenvolvimento dinâmico interminável e imprevisível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os historiadores marxistas poderiam beneficiar-se da pesquisa das operações dessa contradição fundamental entre os mecanismos que promovem transformações e aqueles que são voltados a opor resistência a elas.&lt;br /&gt;Disponível em  &lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u720155.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u720155.shtml&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 14/04/10.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-3233716795052106532?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/3233716795052106532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/questoes-cruciais-do-seculo-xxi-eric.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3233716795052106532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3233716795052106532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/questoes-cruciais-do-seculo-xxi-eric.html' title='QUESTÕES CRUCIAIS DO SÉCULO XXI- ERIC HOBSBAWM - ENTREVISTA'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sYAr2XS7I/AAAAAAAAAG8/W4QzUTgg92M/s72-c/m1804201001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-1810200267018213926</id><published>2010-04-18T07:16:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T07:27:03.331-07:00</updated><title type='text'>OS POLÍTICOS DO LIXO - FERREIRA GULLAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sWWBb-X7I/AAAAAAAAAG0/z8kiq2D5fGo/s1600/13_MHG_rio_bumba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461483540715560882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 205px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sWWBb-X7I/AAAAAAAAAG0/z8kiq2D5fGo/s320/13_MHG_rio_bumba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;POUCO DEPOIS de assumir o governo do recém-criado Estado da Guanabara, Carlos Lacerda decidiu retirar do morro da Babilônia -sob o qual está o túnel Novo, que liga Botafogo a Copacabana- uma pequena favela, que ali se formara. Já antes construíra um conjunto residencial em Bangu, para onde os moradores da favela foram transferidos. Os barracos desocupados foram demolidos e os restos, queimados, para sanear o local.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lacerda foi então acusado pela oposição -que incluía getulistas e as esquerdas em geral- de odiar os pobres e matar mendigos. É que, na mesma ocasião, mandara para abrigos os moradores de ruas. Hoje, cabe perguntar: o que seria daquela entrada de Copacabana (avenida Princesa Isabel) se ali em cima do túnel houvesse hoje uma favela, que estaria dez vezes maior e dominada por traficantes armados?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A campanha contra o governador teve tal impacto que ele desistiu do seu projeto que era retirar outras favelas da zona sul da cidade. Se, ao contrário, seu plano tivesse obtido apoio, os graves problemas que enfrentamos hoje, tanto no plano da criminalidade quanto da qualidade de vida dos moradores, talvez não existissem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que aconteceu então? O governador teve que deixar de lado o que era certo fazer porque o "povo" o obrigou? Mas, ele, o povo, foi o principal prejudicado, já que políticos oportunistas, fazendo-se passar por amigos dos favelados, impediram que se iniciasse a transferência deles para conjuntos residenciais, com condições de vida mais dignas e seguras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lembro-me, agora, a propósito, do que me contou um político, que foi visitar o então governador Leonel Brizola, em seu apartamento na avenida Atlântica. Observara, no percurso, que a avenida estava repleta de mendigos e disse isso a Brizola, que respondeu: "Deixo-os aí de propósito para mostrar o que os ricos fazem com os pobres neste país". Parece o Lula falando, não?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pois esse mesmo Brizola, durante seus dois governos no Rio de Janeiro, impediu que a polícia entrasse nas favelas para reprimir o tráfico de drogas e, graças a isso, os traficantes puderam transformá-las em "santuários" fortemente armados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Paralelamente a isso, tanto Brizola como os que o sucederam, juntamente com os prefeitos da cidade, deixaram que as favelas crescessem e se alastrassem pelas encostas dos morros. Quando a imprensa, alertada por moradores, mostrava novas invasões avançando sobre o que ainda restava de mata por ali, então, aquelas autoridades fingiam tomar providências, mas de modo a não entrar em conflito com os líderes da comunidade, seus cabos eleitorais. E assim as favelas vieram crescendo, como uma ameaça à segurança dos que nela vivem e dos que moram nos bairros próximos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Esses fatos são a expressão de um tipo de política que se faz no Rio de Janeiro, mas também no país inteiro, e em todos os níveis: municipal, estadual e federal. É a política populista, que consiste em se fazer passar por protetor dos pobres para, de fato, enganá-los.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A tragédia do morro do Bumba, em Niterói, é apenas o desfecho trágico dessa política safada, que se alimenta do desamparo material e da ingenuidade dos menos favorecidos. Ali havia, antes, um lixão que foi desativado em 1986. De lá para cá, em cima daquele terreno instável, composto de lixo e gás metano, as pessoas foram erguendo suas casas, sem que nenhuma autoridade tomasse qualquer providência para impedir. Pelo contrário, atendendo a interesses eleitorais, introduziram melhorias na área e passaram a cobrar dos moradores pela luz, pela água e até taxa de IPTU. Ou seja, legalizaram o lixão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enquanto isso, debaixo das casas, sob os pés dos moradores desavisados, aquela massa inconsistente de lixo e chorume produzia gás e preparava a tragédia futura. Os moradores, claro, o ignoravam, mas não os órgãos da prefeitura, que existem para cuidar dessas questões. Quanto ao prefeito e seu grupo, tudo o que lhe importava era manter o curral eleitoral. Sabe-se agora que, no Rio, há 18 favelas plantadas sobre lixões.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Essa tragédia de Niterói é, portanto, o resultado previsível de um tipo de política que consiste em manipular as necessidades da gente mais desvalida para chegar ao poder e se manter nele. A essa mesma categoria pertencem os programas assistenciais -que deveriam ser emergenciais, mas se tornam permanentes-, condenando a uma espécie de mendicância as famílias que deles se servem. Elas não se dão conta do chão instável que pisam, não percebem o futuro sem futuro que as espera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Disponível em: &lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1804201022.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1804201022.htm&lt;/a&gt;&gt;. Acesso em 18/04/10&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-1810200267018213926?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/1810200267018213926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/os-politicos-do-lixo-ferreira-gullar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1810200267018213926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1810200267018213926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/04/os-politicos-do-lixo-ferreira-gullar.html' title='OS POLÍTICOS DO LIXO - FERREIRA GULLAR'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S8sWWBb-X7I/AAAAAAAAAG0/z8kiq2D5fGo/s72-c/13_MHG_rio_bumba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-6358007888140351793</id><published>2010-03-14T08:28:00.000-07:00</published><updated>2010-03-14T08:35:52.810-07:00</updated><title type='text'>Mais Uma vez: Greve de Fome e Censura por parte do Jornal "A tribuna" do ES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S50B1g1083I/AAAAAAAAAGU/AcddwWwHNuA/s1600-h/ElioGaspari1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448513143048565618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 290px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S50B1g1083I/AAAAAAAAAGU/AcddwWwHNuA/s320/ElioGaspari1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Para Lula, greve de fome sempre foi teatro&lt;/strong&gt; -ELIO GASPARI&lt;br /&gt;No caso dos sequestradores de Abílio Diniz, ele ficou do lado dos bandidos e pressionou FHC&lt;br /&gt;NOSSO GUIA, ou Grande Mestre, como diz a comissária Rousseff, comparou as razões dos dissidentes cubanos que fazem greve de fome às dos delinquentes das prisões nacionais. O aspecto autoritário, intolerante e até mesmo servil da fala de Lula já foi universalmente exposto, mas resta um detalhe: a natureza farsesca de seu próprio recurso à greve de fome. Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: "Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em 1998, quando os sequestradores do empresário Abilio Diniz fizeram greve de fome na cadeia, Lula ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e intercedeu por eles: "Olha, Fernando, você vai levar para a tua biografia a morte desses caras".(Dar o mesmo telefonema para Raúl Castro, nem pensar.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nesse mesmo ano, quando Lula sentiu-se massacrado pelas denúncias de intimidades imobiliárias com o empresário Roberto Teixeira, saiu em busca de apoios e disse que cogitava fazer uma greve de fome. Não fez, e tanto ele como Teixeira alimentam-se bem até hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Recordar é viver. Em plena ditadura, o presidente Ernesto Geisel foi confrontado por uma greve de fome de 33 presos políticos da Ilha Grande que reivindicavam transferência para o continente. Quando o jejum estava no 14º dia, Geisel capitulou: "Ceder a uma greve de fome é duro, mas eu prefiro ceder".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;MASMORRAS DE HARTUNG (parte 2)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Realiza-se amanhã em Genebra um evento paralelo à reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU, durante o qual ficará disponível o "Dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias de corpos esquartejados que ficarão cravadas na história da administração governador Paulo Hartung.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na semana passada, neste espaço, foi publicado um texto intitulado "As masmorras de Hartung aparecerão na ONU". O jornal "A Tribuna", de Vitória, que detinha direitos de reprodução da coluna no Espírito Santo, deixou de publicá-la. Diante disso, o signatário encerrou suas relações profissionais com "A Tribuna".Eremildo, que é um idiota, está convencido de que esse foi mais um passo da ofensiva chavo-petista para instalar o controle social dos meios de comunicação no Brasil. Informado de que o governador do Espírito Santo é do PMDB, já foi tucano, mas nunca passou pelo PT, o cretino pediu 250 anos para pensar no assunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O dossiê com as fotos dos esquartejados está no seguinte endereço: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.Aviso: é barra muito, muito pesada. Disponível em: &lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1403201016.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1403201016.htm&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 14/03/10.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-6358007888140351793?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/6358007888140351793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/mais-uma-vez-greve-de-fome-e-censura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/6358007888140351793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/6358007888140351793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/mais-uma-vez-greve-de-fome-e-censura.html' title='Mais Uma vez: Greve de Fome e Censura por parte do Jornal &quot;A tribuna&quot; do ES'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S50B1g1083I/AAAAAAAAAGU/AcddwWwHNuA/s72-c/ElioGaspari1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-3667625158122400821</id><published>2010-03-07T09:32:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T09:41:22.737-08:00</updated><title type='text'>Artigo cruel. As Masmorras de Hartung - Imagens fortíssimas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5Pkdwj1aJI/AAAAAAAAAGM/EPoc4rPc6g0/s1600-h/Paulo%2BHartung.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445947574323603602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 210px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5Pkdwj1aJI/AAAAAAAAAGM/EPoc4rPc6g0/s320/Paulo%2BHartung.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;As masmorras de Hartung aparecerão na ONU&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;Por Elio Gaspari&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O economista bem educado governa no ES um sistema prisional que envergonharia o soba do Uzbequistão &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;NA PRÓXIMA segunda-feira, dia 15, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES) tem um encontro marcado com o infortúnio. Depois de anos de negaças, o caso das "masmorras capixabas" será discutido em Genebra, num painel paralelo à reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Hartung tem 52 anos, um diploma de economista e a biografia de um novo tipo de político. Esteve entre os reorganizadores do movimento estudantil no ocaso da ditadura. Filiou-se ao PSDB, ocupou uma diretoria do BNDES, elegeu-se deputado estadual, federal, e senador.Na reunião de Genebra estará disponível um "dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias que ficarão cravadas na história da administração de Hartung. Elas mostram os corpos esquartejados de três presos. Um, numa lata. Outro em caixas e uma cabeça dentro de um saco de plástico. Todos esses crimes ocorreram durante sua administração. Desde a denúncia da fervura de presos no Uzbequistão o mundo não vê coisa parecida.As "masmorras capixabas" são antigas, mas a denúncia teve que ser levada à ONU porque as organizações de defesa dos direitos humanos não conseguem providências do governo do Espírito Santo, nem do comissariado de eventos de Nosso Guia. Sérgio Salomão Checaira, presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, demitiu-se em agosto do ano passado porque não teve apoio do Ministério da Justiça para reverter o quadro das prisões de Hartung. Há um mês, uma comitiva que visitava o presídio feminino de Tucum (630 presas numa instituição onde há 150 vagas) foi convidada a deixar o prédio. Se quisessem, poderiam conversar com as prisioneiras pelas janelas.O Espírito Santo tem 7.000 presos espalhados em 26 cadeias, com uma superlotação de 1.800 pessoas. Há detentos guardados em contêineres sem banheiro (equipamento apelidado de "micro-ondas"). Celas projetadas para 36 presos são ocupadas por 235 desgraçados. Alguns deles ficam algemados pelos pés em salas e corredores.Os governantes tendem a achar que os problemas vêm de seus antecessores, que as soluções demoram e que, em certos casos, não há o que fazer. Esquecem-se que têm biografias.O relatório com fotos dos esquartejados está no seguinte endereço:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.estadao.com.br/especiais/2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aviso: é barra muito, muito pesada. &lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Disponível em:&lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0703201010.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0703201010.htm&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 07/03/2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-3667625158122400821?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/3667625158122400821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/artigo-cruel-as-masmorras-de-hartung.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3667625158122400821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3667625158122400821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/artigo-cruel-as-masmorras-de-hartung.html' title='Artigo cruel. As Masmorras de Hartung - Imagens fortíssimas'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5Pkdwj1aJI/AAAAAAAAAGM/EPoc4rPc6g0/s72-c/Paulo%2BHartung.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-3515119403055563706</id><published>2010-03-07T07:29:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T07:39:30.278-08:00</updated><title type='text'>Por que ler O cortiço?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5PH1U8gWkI/AAAAAAAAAF0/TSHxsI9Qgiw/s1600-h/g_o%2520corti%25C3%25A7o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445916093390543426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5PH1U8gWkI/AAAAAAAAAF0/TSHxsI9Qgiw/s320/g_o%2520corti%25C3%25A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;A importância de se ler a obra &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, de Aluísio Azevedo, está concatenada à visão de mundo naturalista, isto é, à ideia de que o ser humano- por viver em comunidade, e estar às vezes diante de um mundo degradado- é o resultado de uma experiência, pois todo ser (segundo a lógica determinista) projeta-se a partir dos resultados de fatores externos, ou internos, isto é, o meio, o contexto histórico e fatores hereditários contribuem para a formação do mesmo. &lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aluísio dialoga com as esferas do determinismo de &lt;em&gt;Taine&lt;/em&gt;, uma vez que seus personagens patológicos tem uma raiz embasada num lastro cientificista, e isso projeta O cortiço como um elemento que vai se transformar minuciosamente. Pois ele está inserido em um mundo degradado. As particularidades encontradas em O cortiço, tais como o caso trágico de &lt;em&gt;Piedade&lt;/em&gt;, mulher de &lt;em&gt;Jerônimo&lt;/em&gt;, que se entregou ao álcool após perder seu marido para &lt;em&gt;Rita Baiana&lt;/em&gt;, mulata sensual que por intermédio de seu instinto sedutor, “fisga” o português &lt;em&gt;Jerônimo&lt;/em&gt;. Isso, sem falar de &lt;em&gt;João Romão&lt;/em&gt; que se enriquece diante do aumento gradual do cortiço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445916233191852002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 273px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5PH9dvvB-I/AAAAAAAAAF8/1I66_I93nic/s320/ddcortico.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A Obra de Azevedo oferece uma leitura crítica da situação dos pobres- por sinal é uma das obras em que o protagonismo está circunscrito no universo dos pobres- no Rio de Janeiro em fins do século XIX, pois apresenta a maneira como as pessoas que viviam em cortiços sobreviviam. Aluísio faz uma denúncia cruel à miséria a partir do seu conglomerado humano, isto é, o cortiço.&lt;br /&gt;O cânone literário, a princípio, não considerava O cortiço uma obra séria para ser lida, já que ela expunha temas tabus como a homossexualidade, a prostituição, o alcoolismo dentre outros. Para alguns, os textos naturalistas eram tidos como pornográficos, uma vez que tais temáticas, encontradas nos textos naturalistas, circunscreviam um universo que ia contraproducentemente em direção a um outro postulado, ou seja, o da moral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445916384831397634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5PIGSpa3wI/AAAAAAAAAGE/wc4BFRjHTwU/s320/image008.gif" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A obra ganha no âmbito da discussão, portanto, fôlego. Diante disso, quando começamos a analisar alguns aspectos da vida social, isto é, no emaranhado dos bolsões de pobreza, da formação dos morros cariocas e favelas, encontramos alguns elementos da obra de Azevedo. Por isso, O cortiço, a meu ver, deve ser lido. Tal obra poderá ser lida em qualquer época – por isso o seu caráter universal- porque é a partir de obras deste nível (crítico e de denúncia) que encontramos males do século XIX ainda presentes no século XXI.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-3515119403055563706?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/3515119403055563706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/por-que-ler-o-cortico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3515119403055563706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/3515119403055563706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/03/por-que-ler-o-cortico.html' title='Por que ler&lt;em&gt; O cortiço&lt;/em&gt;?'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S5PH1U8gWkI/AAAAAAAAAF0/TSHxsI9Qgiw/s72-c/g_o%2520corti%25C3%25A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-1727580132138597236</id><published>2010-02-21T10:26:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T10:40:24.048-08:00</updated><title type='text'>DILMA ROUSSEFF - PERFIL</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S4F99eIxSCI/AAAAAAAAAFI/VEa4OPsPkDs/s1600-h/n2102201001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440768319855609890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S4F99eIxSCI/AAAAAAAAAFI/VEa4OPsPkDs/s320/n2102201001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;PERFIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DILMA ROUSSEFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ilusões armadas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trajetória da pré-candidata do PT ao Planalto começa em escola de freiras em Belo Horizonte e passa por luta armada, prisão, Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul; ministra revela pela primeira vez que fez treinamento militar no Uruguai&lt;br /&gt;Numa viagem recente a Belo Horizonte, Dilma Rousseff encontrou uma velha amiga do Colégio Sion, escola na qual cursou o ensino fundamental a partir de 1955 na capital mineira. "Ela me disse que só uma aluna da minha turma era psiquiatra, tirando também outras duas que eu conheço e seguiram carreira profissional". E o restante? "As outras todas eram donas de casa".&lt;br /&gt;O Sion era um colégio de freiras. Só para meninas. Eram educadas para debutar nos bailes de 15 anos. Não que fosse uma escola fácil. Quando Dilma chegou com o uniforme azul marinho para o primeiro dia de aula, aos 7 anos, a professora escreveu um texto no quadro negro e ordenou: "Copiem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa viagem recente a Belo Horizonte, Dilma Rousseff encontrou uma velha amiga do colégio Sion, escola na qual cursou o ensino fundamental a partir de 1955 na capital mineira. "Ela me disse que só uma aluna da minha turma era psiquiatra, tirando também outras duas que eu conheço e seguiram carreira profissional." E o restante? "As outras todas eram donas de casa."&lt;br /&gt;O Sion era um colégio de freiras. Só para meninas. Eram educadas para debutar nos bailes de 15 anos. Não que fosse uma escola fácil. Quando Dilma chegou com o uniforme azul marinho para o primeiro dia de aula, aos 7 anos, a professora escreveu um texto no quadro negro e ordenou: "Copiem".&lt;br /&gt;"Eu tinha feito o jardim de infância no Isabela Hendrix. E lá não se ensinava a escrever. A gente pintava. Eu entrei no primeiro ano completamente analfabeta. E tinha uma porção de meninas de um colégio chamado 12 de Dezembro. Todas sabiam escrever. E eu, não. Minha mão suava, borrava o caderno. Eu tentava copiar como se fosse desenho sem saber o que estava copiando."&lt;br /&gt;A partir desse episódio, Dilma diz ter desenvolvido "uma vontade de aprender a ler que era um horror". Foi incentivada pelo pai, o búlgaro naturalizado brasileiro Pétar Russév -cujo nome depois foi aportuguesado para Pedro Rousseff. "Ele foi uma pessoa que teve forte vínculo com todos os movimentos de transformação europeus", relatou a ministra da Casa Civil em uma das sessões de conversa que concedeu à Folha desde janeiro deste ano.&lt;br /&gt;Primeiro, foram livros infantis, "uma coleção da Melhoramentos, uns livrinhos desse tamanhozinho, assim", diz Dilma, indicando que eram edições de bolso. Depois, os contos dos irmãos Grimm, os alemães que popularizaram fábulas como Cinderela, Branca de Neve e João e Maria. Mas logo as leituras foram mudando de tom. "Eu li "Germinal" aos 14 anos", diz, citando o mais famoso romance do francês Émile Zola, de 1885, conhecido pela descrição naturalista, bem crua, das condições de trabalho sub-humanas de mineiros de carvão.&lt;br /&gt;"Ela teve uma formação intelectual precoce. Lia muito, de histórias em quadrinhos até Marcel Proust e Jean-Paul Sartre. Sou cinco anos mais velho, mas lembro-me dela no movimento secundarista já dando aula para futuros vestibulandos", diz Claudio Galeno Linhares, 67, que foi casado com a ministra nos anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Família&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.&lt;br /&gt;Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.&lt;br /&gt;Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.&lt;br /&gt;Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.&lt;br /&gt;Foi exatamente esse apartamento o usado por Dilma Rousseff no final dos anos 60 para fazer reuniões com colegas militantes de esquerda e preparar ações a favor da luta armada contra a ditadura militar.&lt;br /&gt;Ao terminar o ginásio, em 1963, Dilma prestou concurso para fazer o clássico em ciências sociais (um dos ramos do ensino médio daquela época). Em 1964 começou no Colégio Estadual Central. "Esse era "o" colégio de Belo Horizonte. Ali acontecia toda a agitação política estudantil da cidade", recorda-se Fernando Pimentel, 58, ex-prefeito de Belo Horizonte (2005-2008) e também ex-aluno do Estadual Central -no qual frequentava uma célula política comandada pela pré-candidata do PT ao Planalto.&lt;br /&gt;Quando começou o clássico, em 1964, Dilma teve contato com militantes da esquerda organizada. "Foi a primeira vez que eu soube que as pessoas iam presas por crime de opinião", recorda-se. Em 31 de março daquele ano, o país sofreu um golpe de Estado. Uma ditadura militar se instalou.&lt;br /&gt;Ao se aproximar dos grupos de esquerda, Dilma recebeu um texto para ler. "Era um livrinho. Chamava-se "Acumulação primitiva". Era um dos capítulos mais vitais do "Capital", do Marx. Li e não entendi. Aí eu perguntei o seguinte: "afinal de contas, ele é a favor dos trabalhadores ou não?'"&lt;br /&gt;É raro Dilma tratar de temas mais filosóficos e não inserir uma citação literária. Sobre religião, por exemplo, fala dos romances de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), permeados do conceito de que, "se Deus não existe, tudo é permitido". Ao ser presa acusada de subversão pela ditadura militar, em 1970, sua ficha preenchida pela polícia paulista continha a inscrição "não tem religião" em um dos campos.&lt;br /&gt;Hoje, a ministra contemporiza. Numa sabatina na Folha, em 2007, disse: "Fiquei durante muito tempo meio descrente. Acredito que as diferentes religiosidades são fundamentais para as pessoas viverem. A gente não pode achar que existe aquele seu Deus". Mas ela acredita em Deus? "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há? Eu me equilibro nela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Militância&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Egressa do Sion, Dilma tinha facilidade não apenas com literatura, mas também com matemática. No movimento estudantil secundarista, entre reuniões para discutir política e como seria a próxima passeata de protesto, a simpatizante da Polop dava aulas particulares. A Polop era como todos se referiam à Organização Revolucionária Marxista Política Operária. Mais tarde, em 1967, o grupo virou Comando de Libertação Nacional (Colina).&lt;br /&gt;"O Zé Aníbal estudava no colégio Marconi e lá não tinha boa formação em matemática. Então fui eu estudar matemática com ele, na minha casa, todos os dias", diz Dilma. O Zé Aníbal que estudou com Dilma em 1966 é o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), à época também um simpatizante da Polop em Belo Horizonte. Os dois passaram no vestibular e entraram juntos para a Face (Faculdade de Ciências Econômicas) da UFMG.&lt;br /&gt;O futuro deputado tucano teve a ajuda da futura petista não só para aprender matemática. Na primeira semana de aula, em 1967, a Polop estava tentando destronar um pouco o grupo político de esquerda AP (Ação Popular), ligado à Igreja Católica, então dominante no movimento estudantil.&lt;br /&gt;Zé Aníbal foi escolhido para ser candidato a representante dos primeiranistas. "A Dilma fez muita campanha para mim. Trabalhou como cabo eleitoral. Ganhei por um voto de diferença contra o candidato da AP", relata o hoje deputado federal pelo PSDB paulista.&lt;br /&gt;Ser da Polop era estar por dentro do que se passava nas principais rodas políticas e culturais de Belo Horizonte. "A Polop misturava de tudo. Tinha Lênin, Marx, Rosa de Luxemburgo e uma pitada de Trotsky. Era o grupo mais intelectualizado. O pessoal da AP rezava o dia inteiro. Os do PC do B só liam Mao Tse-Tung. A Polop era um movimento iluminista", descreve Apolo Heringer, 67, um dos gurus da esquerda belo-horizontina nos anos 60.&lt;br /&gt;Não era um grupo numeroso. Basta dizer que um dos principais veículos a conduzir os militantes para cima e para baixo era um Volkswagen sedã verde abacate. O Fusca foi o presente que Zé Aníbal ganhou do pai ao entrar na faculdade. Dilma andou muito naquele fusquinha.&lt;br /&gt;A verdade é que as conversas eram sobre revolução e exploração dos trabalhadores, mas "pobre, mesmo, não tinha muitos, não". A lembrança é do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "Todos eram, pelo menos, de classe média".&lt;br /&gt;Foi numa sessão de cinema, "possivelmente um filme italiano, do [Federico] Fellini", que começou o namoro entre Dilma e o jornalista Cláudio Galeno de Magalhães Linhares.&lt;br /&gt;Galeno já havia estado preso e tinha habilidade com produtos químicos. Seu pai era farmacêutico. "Andaram falando que eu fabricava bombas. Não tem nada disso. Fabriquei alguns protótipos de uma caixa com um dispositivo eletroquímico. Era para guardar documentos secretos. Se a repressão abrisse, a caixa entraria em combustão", diz. Só duas dessas engenhocas foram fabricadas. Uma acabou nas mãos da polícia. Não pegou fogo. O dispositivo não estava armado.&lt;br /&gt;O casamento foi em setembro de 1967, só no civil. Familiares e amigos compareceram ao cartório. "Eram 30 ou 40 pessoas. Muitos já eram procurados. Se a polícia baixasse ali levaria alguns", diz Galeno, 25 anos à época. A noiva tinha 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Aparelho"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foram morar no apartamento da família Rousseff, no centro de BH. Eram tantas as reuniões políticas que o local era considerado quase um "aparelho" da Polop e do Colina -"aparelho" era o jargão para designar os endereços para encontros das organizações proscritas pela ditadura militar.&lt;br /&gt;Foi nesse apartamento que Dilma e Galeno tiveram seus últimos dias antes de cair na clandestinidade. Jorge Nahas e outros militantes foram presos em janeiro de 1969, num confronto com a polícia. Morreram dois policiais. Os organismos de repressão mineiros começaram a caçar ostensivamente os militantes de esquerda -os subversivos, como se dizia.&lt;br /&gt;O casal passou a dormir em locais diferentes. "Mas daí nos disseram que alguém havia escondido microfilmes nas caixas dos interruptores de quarto do apartamento. Eram fotos de locais usados em nossos treinamentos militares", disse Galeno à Folha em entrevista neste mês, em Belo Horizonte.&lt;br /&gt;Com todo cuidado, entraram a pé pela garagem. Galeno descreve: "Olhamos pela janela e vimos uma caminhonete C14 e um Aero Willys, os dois de cor preta, da polícia. Ficamos em silêncio total, sem acender as luzes. Encontramos os microfilmes que nem eu nem a Dilma sabíamos da existência. O problema era como destruí-los".&lt;br /&gt;Jogar no vaso sanitário e dar a descarga faria barulho. Queimar produziria fumaça. A solução foi desenrolar um cabide de arame enfiar os microfilmes nos ralos do apartamento. "Mas você imagine a tensão... Eles não sabiam que estávamos lá. Um policial subiu e tocou a campainha. Nós vimos que era um policial pela fresta de baixo da porta, com todo cuidado. Ele usava coturnos", relata Dilma.&lt;br /&gt;Foi uma noite em claro. Galeno se lembra de terem levado colchões para a sala, em frente à porta. "Era uma espécie de barricada. Se entrassem atirando nós teríamos alguma proteção inicial mínima." Por volta das 6h do dia seguinte, um barulho no corredor externo chamou a atenção. Dilma relata: "Era a empregada do vizinho esperando o elevador. Pelo olho mágico deu para ver que ela levantou a saia, coçou a coxa e ajustou a meia. Uma mulher só faria aquilo no corredor se soubesse que estava sozinha. Olhamos pela janela e os carros da polícia não estavam lá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clandestinidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Era o momento da troca de turno. "Eu disse: vamos nessa", conta Galeno. Dias depois os dois já estavam no Rio, clandestinos, usando nomes falsos e pulando de casa em casa. O casamento também estava chegando ao final. Dilma ficou no Rio. O marido foi para o Rio Grande do Sul, atendendo a um chamado do Colina. No dia 1º de janeiro de 1970, ele participou de um sequestro de um avião em Montevidéu, no Uruguai, e refugiou-se em Cuba.&lt;br /&gt;O ano de 1969 foi intenso para Dilma. Ela usou vários codinomes, entre os quais Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Conheceu seu segundo marido, o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Quando se viram pela primeira vez, ele tinha 31 anos. Dilma estava com 21. "Sou 9 anos e 10 meses mais velho que a Dilma", calculou Araújo numa das conversas que teve com a Folha em Porto Alegre, onde mora e trabalha até hoje.&lt;br /&gt;Era um comunista que conhecia União Soviética, Polônia, Checoslováquia. Havia militado ao lado de Francisco Julião nas Ligas Camponesas, no Nordeste. Algumas semanas depois de se conhecerem, no início de 1969, Araújo e Dilma já estavam vivendo juntos. "Foi uma paixão. Ela era muito linda. Ela era uma mulher muito bonita. Mesmo usando óculos." Dilma tinha 9 graus de miopia. Hoje, usa lentes de contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VAR-Palmares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Naquele final de anos 60, a hoje ministra participou de reuniões secretas em São Paulo e no Rio nas quais as organizações de esquerda armada iam se fundindo ou rachando conforme a ideologia do momento. "O livrinho do Régis Debray, "A revolução na revolução", colocou fogo em todos. O texto chegou mimeografado para nós, contrabandeado do Uruguai. Muitos acharam que o foquismo era a solução. Por um momento, a Dilma achou isso também", diz Apolo Heringer.&lt;br /&gt;Pensador de esquerda francês, Debray morou em Cuba, conheceu Fidel Castro e Che Guevara. Difundiu a teoria do foco. Heringer, hoje um pacifista e ambientalista, descreve: "Era a tese da coluna móvel estratégica. Seria o organizador coletivo para movimentar as massas, como um motor. Atuava-se nas cidades e refugiava-se nas florestas, derrotando o Exército aos poucos, a cada combate, conquistando adesão das massas. Não tinha a menor base na realidade brasileira".&lt;br /&gt;Deu-se então a fusão do Colina, de Dilma e Araújo, com a Vanguarda Popular Revolucionária, de Carlos Lamarca. A nova organização, criada em meados de 1969, chamava-se Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).&lt;br /&gt;O novo grupo falava em combater a ditadura, mas a alternativa não era propriamente democracia. Em 1970, um militante foi preso em Goiânia com um estatuto da organização. A VAR-Palmares se definia como instituição "político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo".&lt;br /&gt;Quem descumprisse o cânone interno ficava sujeito a sanções de "censura, verbal ou escrita", "expulsão" e até "justiçamento" -essa pena de morte seria "aplicada por um tribunal revolucionário", e infrator poderia ou não "estar presente ou tomar conhecimento" da pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Treinamento militar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A associação entre Colina e VPR durou poucos meses. Lamarca queria aprofundar as ações armadas. Outros divergiam. Racharam antes do final de 1969. Mas ainda deu tempo para Dilma ir ao Uruguai clandestinamente ser treinada em técnicas militares -ela não precisa o momento exato.&lt;br /&gt;Em março de 2009, à Folha, Dilma havia negado esse treinamento de forma categórica: "Nunca fiz nem treinamento no exterior nem ação armada".&lt;br /&gt;Confrontada com a contradição, alega que, à época, não queria falar de atos envolvendo outros países. Resolveu fazer a revelação depois da eleição de José Mujica, ex-guerrilheiro da organização Tupamaros, que lutou contra a ditadura militar uruguaia. "O presidente Mujica está ali e sabe como é que foram os anos 70", diz Dilma.&lt;br /&gt;A seguir, seu relato, inédito, sobre o treinamento militar -e não de "guerrilha", diz ela.&lt;br /&gt;"Era perto daqui, no Uruguai. Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro você fazer na fronteira. Eu estava no Rio e fui a Porto Alegre. Foi do lado de lá da fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Eu usava uns óculos com lentes bem grossas. Eu nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se [armas]. Também [havia treinamento] de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido. Eles chamavam de treinamento de inteligência." &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Disponível em:&lt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2102201011.htm"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2102201011.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&gt;. Acesso em 21/02/10.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-1727580132138597236?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/1727580132138597236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/dilma-rousseff-perfil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1727580132138597236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1727580132138597236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/dilma-rousseff-perfil.html' title='DILMA ROUSSEFF - PERFIL'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S4F99eIxSCI/AAAAAAAAAFI/VEa4OPsPkDs/s72-c/n2102201001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-4538894384675833239</id><published>2010-02-07T07:12:00.001-08:00</published><updated>2010-02-07T07:42:25.786-08:00</updated><title type='text'>PT 30 ANOS: ESQUERDA OU DIREITA? UTOPIA ÀS AVESSAS.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;PT, o suplício de uma saudade &lt;/strong&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;FRANCISCO DE OLIVEIRA,76, é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27Z3IcEHrI/AAAAAAAAAEQ/5nr91RSE1IA/s1600-h/franciscodeoliveira_PauloLiebert_cut.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435521341463994034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 292px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27Z3IcEHrI/AAAAAAAAAEQ/5nr91RSE1IA/s320/franciscodeoliveira_PauloLiebert_cut.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;AOS 30 ANOS de sua fundação, o PT realiza todas as previsões da ciência social sobre a estrutura e o funcionamento das grandes organizações. No caso dos partidos, foi Robert Michels quem traçou essa rota. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Burocratizado, previsível, com abissal espaço entre suas elites e a massa, mesmo a hoje fracamente militante. Prestou uma excelente contribuição à democratização nacional, e continuará sendo um dos dois principais partidos políticos no Brasil. Mas não ampliou a democratização nem a republicanização do Estado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27bJ_wD0gI/AAAAAAAAAEo/y_54RoenLh0/s1600-h/129_125-lula_e_o_pt.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435522765061083650" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27bJ_wD0gI/AAAAAAAAAEo/y_54RoenLh0/s320/129_125-lula_e_o_pt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De partido ideológico, transitou rapidamente para "partido-ônibus" e deste para "partido paraestatal". O partido paraestatal se define como uma organização ambígua, que realiza tarefas que o Estado lhe delega.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No caso do PT, o Estado lhe delega as funções de legitimação na massa popular, e o Bolsa Família é seu maior instrumento. A mídia e a oposição, em geral, acusam o PT de aparelhamento do Estado. O fenômeno real é o oposto: é o Estado quem aparelha os partidos, embora esse aparelhamento venha coberto de deliciosos chantillys de bons salários, influência nas licitações e descaradamente na corrupção desenfreada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por isso, o PT já não é um partido da transformação. Na periferia subdesenvolvida, um partido patrimonialista, na versão machadiana/schwartziana da cultura do favor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27aZva0HeI/AAAAAAAAAEY/pPe5HaY8W6U/s1600-h/091209200016logo_30_anos_final_ampliado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435521936043285986" style="WIDTH: 302px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27aZva0HeI/AAAAAAAAAEY/pPe5HaY8W6U/s320/091209200016logo_30_anos_final_ampliado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O pós-Lula não conhecerá grandes mudanças no rol dos partidos. O PT é o que mais sofrerá com uma magra dieta não governamental, se sua até agora pretensa candidata não se eleger: tensões internas ou a luta pelo espólio pós-Lula podem aproximá-lo do peronismo sem Perón. Se Dilma se eleger, a luta interna pelo controle de um governo sem personalidade e força partidária própria será também muito feroz. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A luta será para saber quem ocupa os cargos-chave, já que o próprio Lula tem a vocação de eminência parda, mas dirigirá Dilma de muito perto. Se os deuses favorecerem o atual governador de São Paulo, então será a vez de o tucanato voltar a engordar, e tratar de desfazer os trunfos lulistas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas a política real passará longe dos partidos, como já acontece, e o Banco Central e as outras instituições serão os verdadeiros eixos da política. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por último, convém frisar que o PT não tem nenhuma contribuição para a ampliação tanto da participação popular nas decisões mais importantes, como não melhorou a musculatura institucional do Estado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desde Vargas, o último grande reformador do Estado, ele segue o mesmo. FHC tentou introduzir um semiliberalismo via agências reguladoras, mas não foi muito longe; Lula, nem tentar tentou. &lt;em&gt;E La Nave Va.&lt;/em&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disponível em: &lt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0702201014.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0702201014.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&gt;. Acesso em 07/02/2010&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;PT, entre o passado e o futuro - &lt;span style="font-size:100%;"&gt;MARCO AURÉLIO GARCIA, 68, é professor licenciado da Unicamp, Assessor Especial de Política Externa do presidente da República e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27dSBQb6HI/AAAAAAAAAE4/uJd98G6NC5k/s1600-h/20_MVG_marcoassumetchauberz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435525101927524466" style="WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27dSBQb6HI/AAAAAAAAAE4/uJd98G6NC5k/s320/20_MVG_marcoassumetchauberz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ANIVERSÁRIOS sempre são ocasião para celebração. Sobretudo quando quem celebra é um partido político que há sete anos governa o Brasil e é responsável pela grande transformação econômica, social e política que mudou a cara do país e projetou-o no cenário internacional. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas celebração não deve impedir reflexão. O PT, no governo, começou a desatar o grande nó da sociedade brasileira -o da desigualdade social. Frustrou os que prognosticaram que o enfrentamento da questão social por Lula se daria às custas da retomada do crescimento, da estabilidade macroeconômica, da redução da vulnerabilidade externa e da democracia política.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os êxitos do governo não aplacaram os críticos. Alguns clamaram por uma ruptura mais forte com o status quo, prodigando lições revolucionárias. Outros culparam o povo por deixar-se comprar pelas "migalhas" das políticas sociais implementadas. Persistiram no estigma à experiência brasileira, usando paradigmas teóricos ultrapassados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há exatamente 15 anos, aqui nesta mesma Folha, escrevi: "Para que o PT não seja apenas um "caco da história" no "amontoado das ruínas" republicanas a ser resgatado futuramente na história dos vencidos, é necessário que ele apreenda hoje com seus erros, (re)pense o Brasil e assuma não só com vontade, mas também com lucidez, sua a vocação de poder." &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27bZwMoUkI/AAAAAAAAAEw/Xb2fFZK8f_I/s1600-h/OgAAANZc1mz9ExR9aSPoR-UhJGqAU0xVPgeobMiAA9P7Nf96asmrOm1_Lrulsupt6VeKChpnuUj5L1ro9xwJb5Nwdy0Am1T1UPq1e2oYOu7ZQmn36L_uPy-Y5w6R.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435523035763855938" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27bZwMoUkI/AAAAAAAAAEw/Xb2fFZK8f_I/s320/OgAAANZc1mz9ExR9aSPoR-UhJGqAU0xVPgeobMiAA9P7Nf96asmrOm1_Lrulsupt6VeKChpnuUj5L1ro9xwJb5Nwdy0Am1T1UPq1e2oYOu7ZQmn36L_uPy-Y5w6R.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O PT assumiu as responsabilidades que correspondem a um partido que quer governar um país com a complexidade do Brasil. Enfrentou, com seus aliados, os temas da desigualdade social, da democracia política e de uma política externa soberana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27a2AimMXI/AAAAAAAAAEg/hcSVxxnkpHo/s1600-h/PT.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435522421675667826" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27a2AimMXI/AAAAAAAAAEg/hcSVxxnkpHo/s320/PT.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A despeito de todas as dificuldades que atravessou, dos erros que cometeu, tem credibilidade para apresentar um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado para o futuro. O partido continua convidando a uma reflexão permanente e, junto com essa nova agenda para o século XXI, apresenta um nome que pode conduzir esse processo nos próximos anos -a ministra Dilma Rousseff. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disponível em :&lt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0702201015.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0702201015.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&gt; Acesso em 07/02/2010.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-4538894384675833239?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/4538894384675833239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/pt-30-anos-esquerda-ou-direita-utopia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4538894384675833239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4538894384675833239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/pt-30-anos-esquerda-ou-direita-utopia.html' title='PT 30 ANOS: ESQUERDA OU DIREITA? UTOPIA ÀS AVESSAS.'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27Z3IcEHrI/AAAAAAAAAEQ/5nr91RSE1IA/s72-c/franciscodeoliveira_PauloLiebert_cut.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-1774481217694752054</id><published>2010-02-07T06:50:00.001-08:00</published><updated>2010-02-07T07:06:43.368-08:00</updated><title type='text'>Carta tardia a um poeta arredio - Por Ferreira Gullar</title><content type='html'> &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27U0rVeiNI/AAAAAAAAAD4/icOHytStJuY/s1600-h/ferreira+gullar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435515801733859538" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27U0rVeiNI/AAAAAAAAAD4/icOHytStJuY/s320/ferreira+gullar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;POETA CARLOS Drummond de Andrade, desculpe-me se venho lhe perturbar o sossego, dizendo-lhe coisas que, para você, a esta altura, não têm qualquer importância. Estarei sendo mesmo impertinente, ao manifestar-lhe, deste modo, minha solidariedade em face do vandalismo com que têm agredido sua estátua, ali, no calçadão da avenida Atlântica. Saquear a estátua de um poeta é coisa de gente demasiado ignorante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falo de impertinência minha porque, pelo que sei de você, estou certo de que não aprovaria essa ideia de materializá-lo em bronze como se estivesse sentado num dos bancos da praia a observar os banhistas e as banhistas sob o sol escaldante. Não que fosse indiferente à beleza das moças exibindo-se nos maiôs sumários que usam. Mas uma coisa é um poeta de carne e osso e outra, muito diferente, um poeta de bronze. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho certeza de que jamais imaginou, ao passear por esse mesmo calçadão, que um dia estaria ali, metalicamente moldado, exposto ao sol e à chuva, à contemplação dos turistas como à solidão das noites intermináveis, quando o bairro inteiro dorme e mal se ouve, distante, o quebrar das ondas na areia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27VBbunzeI/AAAAAAAAAEA/isLedU-UDH0/s1600-h/2007051900_bloguncoveringorg_letras_drummond_poesia_morte_leiteiro_estatua_copacabana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435516020882656738" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27VBbunzeI/AAAAAAAAAEA/isLedU-UDH0/s320/2007051900_bloguncoveringorg_letras_drummond_poesia_morte_leiteiro_estatua_copacabana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que você, agora, é de bronze, e não me ouve, aproveito para dizer-lhe o que não disse nas raríssimas vezes em que nos encontramos e nas poucas, também, em que falamos, porque a verdade é que, se não sou tão arredio quanto você, sempre me foi difícil procurar as pessoas, muito mais ainda, poetas célebres, como é o seu caso. Já bastava ser célebre para me assustar; pior ainda se, além de célebre, era esquivo como você.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi-o, pela primeira vez, ao sair do elevador do "Correio da Manhã", na avenida Gomes Freire, aonde fui com Oliveira Bastos e Décio Victório, certa tarde, em que decidimos escandalizar as pessoas. Meus dois companheiros tinham as respectivas gravatas presas à cintura, enquanto eu trajava calças, paletó e gravata mas, em lugar de sapatos, calçava tamancos. Você não deve ter se dado conta da provocação, pois mal nos olhou, ao sair do elevador. Subimos até o andar da Redação e, numa saleta, nos deparamos com Otto Maria Carpeaux que, míope como era, escrevia à mão com a cara grudada no tampo da escrivaninha. Entramos os três e nos pusemos, ali, imitando-o, também com a cara colada na mesa. Ele se assustou e nos lançou um olhar indignado que nos fez deixar a saleta às gargalhadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27WMRZN4fI/AAAAAAAAAEI/5HUx92VyrWc/s1600-h/LER_II.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435517306598711794" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27WMRZN4fI/AAAAAAAAAEI/5HUx92VyrWc/s320/LER_II.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso foi em 1955, quando alguns poucos que me conheciam tinham-me por maldito. Eu vagabundava, naquela época, pelas ruas do centro da cidade e às vezes me sentava à porta de um restaurante, ali na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; para contemplar o edifício do hoje Palácio Gustavo Capanema, que parecia flutuar, onde você trabalhava. E o vi, certa vez, deixar o trabalho, de mãos dadas com uma mocinha, que, soube depois, era sua namorada. A sua cara, porém, nada dizia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos se passaram até que você chegasse aos 70 anos e me convidassem para participar de um programa de televisão em sua homenagem. Escolhi, para dizer, aquele seu poema "Memória", por ser curto e por ser belo: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;                                                                   "As coisas tangíveis&lt;br /&gt;                                                                    tornam-se insensíveis&lt;br /&gt;                                                                    à palma da mão.&lt;br /&gt;                                                                   Mas as coisas findas,&lt;br /&gt;                                                                   muito mais que lindas,&lt;br /&gt;                                                                   essas ficarão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei todo bobo quando, dias depois, recebi um bilhete seu, agradecendo minha participação na homenagem e elogiando o modo como havia dito o poema. Tenho esse bilhete comigo, até hoje, guardado em alguma gaveta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A última vez que o vi foi no velório de Vinicius de Moraes, no cemitério São João Batista. A morte, neste caso, serviu para nos aproximar: fui falar com você e, para minha surpresa, em vez do homem tímido e reservado, deparei-me com um sujeito irritado, reclamando da doença que lhe tinha aberto uma ferida no rosto, como me mostrou. Havia, de fato, uma cicatriz que lhe marcava a face direita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, só voltaria a vê-lo naquele mesmo cemitério, desta vez em seu próprio velório. Eu tinha, naquele dia, um compromisso de trabalho em Brasília mas, a caminho do aeroporto, fui, por assim dizer, despedir-me de você. E, desta vez, quem estava revoltado era eu, revoltado com sua morte, com esse fato inevitável e inaceitável, que é a morte das pessoas que amamos ou admiramos. As declarações, que dei aos jornalistas, naquela ocasião, estavam mais perto do insulto que de outra coisa. A quem eu insultava, na verdade, não sei. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disponível em: &lt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0702201021.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0702201021.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&gt; Acesso em 07/02/2010.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-1774481217694752054?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/1774481217694752054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/carta-tardia-um-poeta-arredio-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1774481217694752054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/1774481217694752054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/carta-tardia-um-poeta-arredio-por.html' title='Carta tardia a um poeta arredio - Por Ferreira Gullar'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27U0rVeiNI/AAAAAAAAAD4/icOHytStJuY/s72-c/ferreira+gullar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-4824019075077461734</id><published>2010-02-07T06:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T07:47:15.344-08:00</updated><title type='text'>Erudito dissonante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27f__1j1gI/AAAAAAAAAFA/eZkYus97qH0/s1600-h/5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435528090843600386" style="WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27f__1j1gI/AAAAAAAAAFA/eZkYus97qH0/s320/5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Erudito dissonante&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Por Alcir Pécora - professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Morto no dia 30, Wilson Martins dignificou a crítica de jornal, mas foi ignorado no debate acadêmico &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Wilson Martins (1921-2010), sob vários títulos, poderia ser autor muito lido, citado e consultado na crítica universitária contemporânea. Em primeiro lugar, pela aproximação ampla que tentou da cultura material e, em particular, da história do livro e da leitura -hoje, objeto de uma infinidade de teses e artigos. Foi o que fez, por exemplo, em "A Palavra Escrita - História do Livro, da Imprensa e da Biblioteca" (1957), quando os historiadores Robert Darnton ou Roger Chartier nem haviam feito graduação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, pelo esforço de pesquisa documental exaustiva, pela disposição de compor inventários, séries cronológicas e biobibliográficas, que hoje são procedimentos correntes e valorizados nas investigações de arquivo em todas as faculdades importantes do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem seria preciso lembrar o quanto isso ocorre nos sete volumes da "História da Inteligência Brasileira" (1976-79). Martins poderia ser autor apreciado também pelo amplo cruzamento de áreas que promove em suas análises, pela comparação sistemática da literatura com os diversos gêneros letrados praticados em certo período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra hoje muitos ecos a sua tentativa metodológica de elencar e contrapor diferentes fenômenos intelectuais, de modo a lançar hipóteses sobre a sua estrutura comum, a detectar o que constituísse a sua "forma mentis", como dizia, bem como a homologia entre as várias práticas intelectuais e artísticas. É o que ocorre não apenas na citada "História da Inteligência Brasileira", cujo título já é elucidativo desse empreendimento interdisciplinar, mas de boa parte de sua crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se passa assim. Talvez consultado, antes das aulas, mas não discutido dentro delas; poucas vezes debatido nas bancas diárias dos estudos literários na universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que isso se dá? Ou melhor, como isso se deu?, ocorre perguntar, quando a sua morte tão recente salienta, de repente, a sua ausência anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que o descaso seja fruto colhido pela ruptura do pacto de cordialidade no trato de parceiros de profissão? Está claro que Martins não tinha mãos para panos quentes e sua escrita deixava vazar sem dó o gosto da polêmica e da mordida crítica. Não raro, anotava na obra examinada a pouca familiaridade com a matéria, a ignorância bibliográfica, a indigência no domínio da língua, quando não isso tudo, e mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435507353971821218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27NI8-DiqI/AAAAAAAAADY/97xThmVgYdM/s320/0,,35649391-EX,00.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Em qualquer ano que se abra, por exemplo, os dois volumes da sua "Crítica Literária no Brasil" (1983), colegas de ofício, com carreira acadêmica e representação institucional importantes, se veem constrangidos a lhe sentir publicamente a fervura do verbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade de tornar expressiva e superjustificada a crítica que fazia, mais do que de matizá-la e equilibrá-la, dava ar de truculência verbal e mesmo de destempero ao que, por outro lado, estava mais para orgulho de andar sozinho, de ser avis rara "no país da patotagem, do compadrio, do você é de direita, eu sou de esquerda", como o traduziu seu editor José Mario Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se não aliviasse a mão para deixar claro que se comprometia moralmente, existencialmente, com a dissonância que introduzia na conversa, e que o desacordo era o modo privilegiado de fazer andar a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À estridência de sua crítica, que entrava sem pedir licença na cena da leitura, confundindo, por vezes, rigor e falta de polidez, tem correspondido o silêncio diante dela, o que tanto ressalta o ambiente suscetível e aparelhado, como a simples indisposição para o trabalho que daria responder a ela. Mas essa é apenas a hipótese mais imediata para o terceiro plano ao qual se relega a sua obra vasta, de proliferação enciclopédica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se comecei dizendo que Martins calhava com certa tendência inventarial da crítica contemporânea, ele se afasta dela não apenas pela exacerbação crítica, pela erudição, mas sobretudo pela concepção de crítica, que dá primazia cultural ao debate e ao juízo "a quente" da produção contemporânea -exercidos principalmente nas páginas dos jornais- sobre o ensaio crítico universitário elaborado sobre o consagrado e consensual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele diz que "a crítica só pode ser universitária depois que a crítica jornalística deu a sua palavra", não está afirmando apenas uma prerrogativa temporal, mas uma precedência epistemológica. Num ambiente em que o jornalismo literário e de erudição autodidata já perdeu há muito tempo o prestígio diante da especialização universitária, compreende-se que Martins soe antiquado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o mais grave. Não é apenas que, por exemplo, as páginas de literatura se encolham nos jornais, não fosse por outro motivo, pela falta de eruditos nas redações ou de intelectuais de primeira dispostos a entrar na cena armada dos lançamentos editoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais drástico é o encolhimento dos estudos literários dentro dos próprios departamentos universitários de literatura, a qual perde -já perdeu- não apenas espaço para os estudos culturalistas de gêneros, minorias, direitos, testemunhos terríveis e edificantes, como para a "teoria" que a toma como ilustração e exemplo, não como corpo epistemológico da investigação ou do prazer físico da leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, quando a própria literatura sai de cena, o nome de Martins é só mais um que sai junto com ela. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Disponível em: &lt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0702201006.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0702201006.htm&lt;/a&gt;&gt; Acesso em 07/02/10&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-4824019075077461734?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/4824019075077461734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/erudito-dissonante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4824019075077461734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4824019075077461734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2010/02/erudito-dissonante.html' title='Erudito dissonante'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/S27f__1j1gI/AAAAAAAAAFA/eZkYus97qH0/s72-c/5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-4252524580568800154</id><published>2009-06-26T16:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T06:45:42.398-07:00</updated><title type='text'>A alma encantadora das ruas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SlPkC66CruI/AAAAAAAAACM/dkSap4_Jlj0/s1600-h/cia_letras_alma_ruas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355875120697224930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 296px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SlPkC66CruI/AAAAAAAAACM/dkSap4_Jlj0/s320/cia_letras_alma_ruas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conversando com um ilustre amigo, também "blogueiro de plantão", consegui motivação para voltar ao universo do Blog. Graças a Deus. Obrigado, Heron. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Inicio esta nova fase do meu blog apontando um livro que sempre leio e releio. Tal livro foi para mim um dos elementos linguísticos mais estraordinários que li nos últimos tempos, o que mais gostei. Uma explicação para tal processo de releitura, talvez, seja a existência de um fio de meada lírico que sempre me move ao encontro das crônicas desta ilustre obra: &lt;em&gt;A alma encantadora das ruas&lt;/em&gt;, de autoria de Paulo Barreto, conhecido pseudonimamente como João do Rio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O livro é constituído por crônicas escritas por João do Rio durante os anos de 1904 e 1907, na cidade do Rio de Janeiro, ambas foram publicadas na Gazeta de notícias ou na revista Kosmos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-4252524580568800154?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/4252524580568800154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/06/alma-encantadora-das-ruas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4252524580568800154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4252524580568800154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/06/alma-encantadora-das-ruas.html' title='A alma encantadora das ruas.'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SlPkC66CruI/AAAAAAAAACM/dkSap4_Jlj0/s72-c/cia_letras_alma_ruas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-7062726066410318445</id><published>2009-02-17T16:42:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T19:53:29.653-08:00</updated><title type='text'>Literatura e Autoritarismo (O início de uma posição da literatura diante do leitor [via estética da recepção])</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não comentarei nada sobre Hans Robert Jauss e sua &lt;em&gt;Estética da recepção.&lt;/em&gt; O que será relatado é apenas uma possível explicação, talvez amalgamada ao epicentro do destino, para a formação do meu interesse pelos estudos literários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Iniciava em março de 2003 o curso de Letras, na Universidade Federal do Espírito Santo. Vinha de umas férias de aproximadamente uns 3 meses, e isso aumentava ainda mais as minhas expectativas sobre o curso em questão. Lembro-me como fosse ontem, o primeiro dia na Ufes, as apresentações dos coordenadores de curso, do diretor do Centro de Ciências Humanas e Naturais, mais conhecido como CCHN. Era aquela empolgação. Alegria e ansiedade...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Durante a segunda semana de aula tivemos, como é praxe na instituição, a Semana de Pesquisa em Letras. Um evento que busca apresentar aos calouros as pesquisas que vinham sendo desenvolvidas no departamento de Letras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu estava ansioso, pois nós, quando somos calouros -isso em qualquer curso - ficamos curiosos, e pensamos o que se pesquisa na nossa área. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O primeiro dia da Semana de Letras foi uma apresentação das diretrizes do curso, aquelas coisas "chatinhas", embora importantes para estudantes e professores. Assisti a algumas palestras de Lingüística, nada de literatura - os temas não me agradaram -. Tive uma impressão nada boa, "esta faltando um certo engajamento no curso", pensava isso porque via nos outros cursos do CCHN - História, Geografia, Ciências Sociais, eis aí alguns - um engajamento social altamente encorajador. Quiça, esta minha impressão fosse pelas várias leituras que fiz antes do vestibular na matéria de História, os debates sobre questões sociais e políticas que tinhamos no cursinho. Algumas pessoas diziam na época que eu tinha que fazer História, outras pensavam que eu tinha passado para História, e não para Letras. Enfim , tolerei tudo isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando numa manhã dessa mesma Semana, teve uma palestra que me chamou a atenção, era alguma coisa sobre &lt;em&gt;Literatura e Autoritarismo&lt;/em&gt;. O palestrante era um sujeito sério, que dificilmente apresentava um sorriso nos lábios, que às vezes estava carrancudo, falava tranquilamente com um sotaque meio gauchesco, seu nome: Jaime Guinzburg. Enquanto esse professor apresentava o &lt;em&gt;Literatura e Autoritarismo&lt;/em&gt;, comecei a perceber uma certa importância da LITERATURA para nós seres humanos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando O docente acabou de apresentar o conteúdo da sua pesquisa, as pessoas do IC II - um dos auditórios do CCHN - estavam totalmente desestimuladas, faltava o engajamento - percebi -, a ponto do palestrante perguntar: "Eu não quero ser idiossincrático, mas ningém não tem nenhuma pergunta, eu não acredito nisso, depois de ouvir tudo o que eu disse, ninguém tem nada a comentar?", Essa frase do professor e mais tudo o que ele expôs à platéia, sinceramente, me fizeram pensar e entender o motivo, e a importância da literatura, pensei celeremente: "até que fim vi um engajamento nesse curso.". Guinzburg ainda disse sobre a literatura, o que realmente me fez acreditar nela: "Se todas as pessoas lessem literatura, poderiam resolver seus problemas dialeticamente, uma vez que por intermédio dela [literatura] podemos ter reflexão e saber conviver com os problemas e resolvê-los dialeticamente [...] A boa literatura é aquela que provoca o choque, que traz a reflexão". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Era tudo o que meus ouvidos queriam ouvir. Achei um fundamento para estudar literatura, e por intermédio dela, tentar amenizar os problemas relacionados à leitura, consistentes na nossa sociedade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Pa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;ssadas duas semanas, fiz um mini-curso sobre &lt;em&gt;Literatura e Autoritarismo&lt;/em&gt;, e confesso: Foi o melhor mini-curso que fiz na universidade. Logo em seguida, fiz um curso de extensão sobre &lt;em&gt;Literatura e Autoritarismo&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Agradeço muito ao destino por estar alí, naquela Semana de Letras, no auditório do IC III, do CCHN, na Universidade Federal do Espírito Santo - Conhecida como UFES -.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-7062726066410318445?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/7062726066410318445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/literatura-e-autoritarismo-o-inicio-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/7062726066410318445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/7062726066410318445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/literatura-e-autoritarismo-o-inicio-de.html' title='Literatura e Autoritarismo (O início de uma posição da literatura diante do leitor [via estética da recepção])'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-7318998662119274927</id><published>2009-02-16T16:45:00.000-08:00</published><updated>2009-06-11T07:50:29.411-07:00</updated><title type='text'>Uma operação que poderia ter dado certo. Operação Valquíria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.cinenews.com.br/wp-content/gallery/valkyrie/valkyrie_xlg.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 346px; CURSOR: hand; HEIGHT: 722px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.cinenews.com.br/wp-content/gallery/valkyrie/valkyrie_xlg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Bem caríssimos, ontem tive a oportunidade de ir ao cinema e assistir a um filme sobre a II Guerra Mundial, Operação Valquíria, tendo como protagonista, Tom Cruise, na figura do coronel, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Claus_Schenk_Graf_von_Stauffenberg"&gt;Claus von Stauffenberg&lt;/a&gt;, que após retornar da África gravemente ferido em combate, se juntará a um grupo de resistência alemão que planeja assassinar Hitler. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O filme retrata a visão de alguns membros do nazismo que estavam contra a loucura de Hitler de "dominar o mundo" à medida que as tropas alemãs estavam sendo derrotadas pelos aliados. É fato que neste morticínio, o povo alemão estava sendo destruído e caso Hitler continuasse vivo, -isso em meados de 1944 - a Alemanha também seria destruída, e nada restaria do povo alemão. Hoje em dia, nós visitamos e revisitamos a II Guerra Mundial, por intermédio das aulas de História, mas não sabemos o quão foi complexo a organização do Sistema Nazista. O que de fato acontecia nos campos de exterminio e de concentração, a questão das corrupções que circundavam nas SS - Unidades de proteção -, ninguém sabe ao menos dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ano passado adquiri um material especial da BBC de Londres sobre a II Guerra Mundial(revistas e DVDs), no que tange à organização dos campos de extermínio e de concentração. Os vídeos que assisti retratavam a morte de crianças, mulheres, deficientes, idosos, e sobretudo alguns nazistas se favoreciam com tudo isso que acontecia para se enriquecerem. Traiam o Sistema Nazista, traiam as palavras do Führer, ao não entregarem os pertences das vítimas aos superiores em Berlim, além de beberem, ficarem alcoolizados, estruparem as mulheres... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os vídeos que assisti sobre Auschwitz-Birkenau são totalmente fortes, e por causa daquilo que estava acontecendo na Alemanha, a única saída era matar Hitler e agilizar a operação Valquíria, para que fosse possível instaurar um novo governo na Alemanha, o que poderia salvar a Europa da tragédia consolidada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para os adoradores da História - lamentavelmente a temos como um trauma- vale a pena assistir ao filme, tanto pelos quesitos da reflexão, por ser baseada em fatos reais, a esposa de Stauffenberg, morre em 2006 - o que dá uma dimensão mais veridica dos fatos ocorridos em Berlim, no ano de 1944 -, e também pelo entretenimento, e por intermédio desse conseguir, quiça, um conhecimento sobre a destruição que a mentalidade humana pode trazer ao mundo. &lt;a href="http://entretenimentonews.com/wp-content/gallery/operacao-valquiria/operacao-valquiria_002.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/R_zf9ddCTvI/AAAAAAAACRI/DNTZyhu6GAA/s400/Operação+Vaquíria.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/R_zf9ddCTvI/AAAAAAAACRI/DNTZyhu6GAA/s400/Operação+Vaquíria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://www.ambrosia.com.br/wp-content/uploads/2008/09/valquiria.jpeg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-7318998662119274927?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/7318998662119274927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/uma-operacao-que-poderia-ter-dado-certo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/7318998662119274927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/7318998662119274927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/uma-operacao-que-poderia-ter-dado-certo.html' title='Uma operação que poderia ter dado certo. Operação Valquíria'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/R_zf9ddCTvI/AAAAAAAACRI/DNTZyhu6GAA/s72-c/Operação+Vaquíria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7216152225154059867.post-4250487969570848686</id><published>2009-02-16T16:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T16:45:10.043-08:00</updated><title type='text'>Bloguear ou não bloguear? Eis a questão.</title><content type='html'>&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/CHANDOS3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 373px; CURSOR: hand; HEIGHT: 480px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/CHANDOS3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Inicio a minha primeira apresentação em blog com uma paródia do "&lt;em&gt;To be or not to be: that's the question&lt;/em&gt;"(Ser ou não ser: eis a questão), de William Shakespeare, o "&lt;em&gt;Bloguear ou não bloguear? Eis a questão&lt;/em&gt;." - neologismo contemporaníssimo - afim de observar a incógnita, a interrogação, que vem ao meu ser diante deste instrumento de comunicação que é o blog. Será que dará certo? Bloguear ou não bloguear?...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tudo começou no hoje, por volta das 10:00 horas da manhã, na minha sala, numa das secretarias, da Prefeitura de Vila Velha, quando tive esta idéia: Por que não fazer um blog?, pensei em várias peripécias, tais do tipo "tenho escrito muito pouco", e lamentavelmente não "se escrevem mais cartas aos colegas, aos familiares, hoje em dia o telefone - principalmente o celular - resolve tudo", "será que terei paciência em construir e administrar um blog?". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Diante disso tive que refletir por alguns minutos sobre fazer ou não o blog. E agora por volta das 19:00 horas, após "quebrar a cabeça" de como organizar e fazer aquelas coisas bonitas que vários amigos meus fazem em seus respectivos blogs, este blog ganhou vida. Sempre tive uma certa aversão aos blogs, achava cansativa a leitura no monitor do computador. E aos poucos fui me adaptando, e eis que tive essa idéia à Brás Cubas, de fazer um Blog. Peço aos possíveis leitores que tenham paciência, pois estou me adaptando às novas tecnologias promovidas pela internet. O meu costume é com o livro, a minha experiência é com livros, mas é necessário inovar, ainda mais se tratando do século da informatização. Tenham paciência.Tudo nesta vida carece de ter paciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Objetivo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O objetivo desse blog é, portanto, oferecer um espaço para amostragem, talvez um pouco narcisista&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; dos meus gostos individuais de leitura, cinema e música, e também expor, por intermédio de matérias, a partir de textos literários, ou analíticos, uma visão acerca da divulgação, defesa, e principalmente, incentivo à cultura no Brasil. Desse modo, o &lt;em&gt;Literatura e afinidades&lt;/em&gt; será - pelo menos essa é a minha pretenção - um espaço para exposição, não só de matérias literárias, mas também artigos que estejam no bojo da cultura brasileira e de sua gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Muito ao seu dispor,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Rogério &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7216152225154059867-4250487969570848686?l=literaturaeafinidades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/feeds/4250487969570848686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/bloguear-ou-nao-bloguear-eis-questao_16.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4250487969570848686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7216152225154059867/posts/default/4250487969570848686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturaeafinidades.blogspot.com/2009/02/bloguear-ou-nao-bloguear-eis-questao_16.html' title='Bloguear ou não bloguear? Eis a questão.'/><author><name>Rogério Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13029025076662119115</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sMXtqLmZrLo/SZoA3YTFo7I/AAAAAAAAABk/z5LIVokgOF0/S220/Rogerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
